https://youtu.be/_GrCKQmIabs
Link sobre obesidade infantil que achei interessante no youtube, mostra que n sao os filhos que devem mudar os seus hábitos e sim os pais que devem ser mais rigidos na hr de dizer n.
Este blog é um canal de comunicação de seus participantes e funciona como um laboratório de experimentação de atividades desenvolvidas na disciplina.
quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
RESENHA Estudos Socioculturais da Educação Física, Esporte e Lazer
Universidade Federal de
Lavras
Estudos
Socioculturais da Educação Física, Esporte e Lazer
Nome:
Andreolle Augusto dos Santos
Resenha:
Esporte de Rendimento e Esporte na
Escola, Marco Paulo Stigger & Hugo Lovisolo (orgs.)
O
livro Esporte de Rendimento e Esporte na Escola de 217 páginas, foi lançado em janeiro
de 2009 pela editora Autores Associados. O livro é um debate estimulado pela
revista Movimento, que ao longo de sua atividade sempre deu atenção a artigos
de pesquisas e ensaios dos quais o tema estava sempre interligado com problemas
da educação física na escola, tal como nesse caso, para o debate sobre o
esporte de rendimento e o esporte na escola, convidaram os colegas: Hugo
Lovisolo graduado em Sociologia pela Univerdad de Buenos Aires em 1969,
mestrado 1982 e doutorado 1987 em Antropologia Social pela UFRJ e pós doutorado
em Ciências dos Esportes pela Universidade do Porto/Portugal; Marco Paulo
Stigger graduado em Licenciatura plena em Educação Física pela UFRGS 1977,
mestrado em Educação Física pela Universidade Gama Filho 1992 e doutorado em
Ciências do Desporto e Educação Física pela Universidade do Porto/Portugal
2000; Valter Bracht doutorado pela Universität Oldenburg/Alemanha 1990, Elenor
Kunz doutorado no Instituto de Ciências do Esporte da Universitat
Hannover/Alemanha 1987, Celi Taffarel doutorado em Educação pela UNICAMP
1993 e pós doutorado pela Universitat Oldenburg/Alemanha 1999; Adroaldo Gaya
doutorado em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto/Portugal 1994;
e Alexandre Fernandez Vaz doutor em Ciências Humanas e Sociais pela
Universidade de Hannover 2002.
O
livro se divide em duas partes, na primeira parte traz o artigo original na
íntegra publicado pela revista entre os anos de 2000 e 2001 enquanto na segunda
uma nova e curta reflexão e atualização apresentada pelos autores, para a
discussão do tema considerado polêmico os autores Bracht, Kunz, Gaya, Taffarel,
Stigger e Vaz foram invitados a escreverem artigos expressando seu modo de
pensar sobre o pressuposto tema, enquanto Lovisolo foi invitado a fazer uma
mediação no debate proposto pela revista.
Os
autores tratam no livro da discussão de como o esporte pode ser trabalhado na
escola de forma educadora e inclusiva, visto que a educação física na escola
atualmente está ligada diretamente ao esporte de rendimento voltado a
competição, o que traz vários problemas para o desenvolvimento escolar dos
alunos e que embora exista nas outras disciplinas escolares também a
competição, seleção e modos de exclusão não aparece de forma escancarada como
na educação física. Na medida que na escola foi havendo a substituição da
ginástica tradicional e competição foi ganhando maior espaço de destaque, mais
ainda quando se tornou uma das principais armas do capitalismo, pois nenhum
outro evento cultural tem tanta visão quanto o fenômeno do esporte, empresas
passaram a explorar esse negócio, atletas viraram super-heróis o que acaba
tirando a criatividade dos alunos, fazendo uma mecanização do esporte, que só
visa o resultado final. O livro se destina aos atuais e futuros profissionais
da área da educação física escolar e também para educadores de outras
disciplinas escolares.
O
texto é de imensa importância para a educação física, pois influencia diretamente
na área de atuação dos nossos profissionais e ajudam a refletir como estão
trabalhando o esporte no conteúdo no cotidiano escolar. A obra nos presenteia
com bons debates, mas também algumas contradições e conflitos entre os autores,
mas que nos faz abrir a mente para novas ideias e pensamentos. Visto que os
autores apresentam sobre o tema, chego a uma conclusão que o esporte é de suma
importância para o desenvolvimento sociocultural do sujeito, conhecimento do
seu corpo e seus limites e dos outros também, mas se trabalhado e desenvolvida
da maneira correta, não visando somente rendimento, vitórias, deve haver um
cuidado em como o esporte está sendo desenvolvido no ensino escolar, será que
estamos reproduzindo somente os movimentos expostos nas famosas competições e
sendo assim limitando o sujeito a aquelas práticas e somente isso, assim valorizando
a lógica capitalista ou estamos desenvolvendo esse fenômeno visando o prazer,
saúde, inclusão, convivência. Mas também devemos nos atentar pois cada vez
menos estamos tendo espaços para a sua prática e a escola muitas das vezes se
torna o único local para a prática esportiva, pois privatizam os locais de
prática, cada vez é maior o número de clubes e menor o de praças, quadras
públicas e escolas cada vez piores pois muitas não têm nem se quer o mínimo
necessário para o desenvolvimento de atividades físicas pois o dinheiro
destinado a essa área acaba se dando fim a outra e devemos reivindicar para
essa mudança, para que possamos com o esporte promover a formação de cada vez
mais pessoas criativas, com liberdade de pensamento e expressão, que possam
confrontar cada vez mais com o pensamento da sociedade atual.
terça-feira, 1 de março de 2016
Educação Física – Licenciatura – 28 A
RESENHA
– A HISTÓRIA DA RIQUEZA DO HOMEM – LÉO HUBERMAN
ESTUDOS
SOCIOCULTURAIS EM EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTE E LAZER.
GFD
105
PROF MÁRCIO NOBERTO FARIAS
DOUGLAS BALÁS DO AMARAL FONSECA
201520187
Em “A
História da Riqueza do Homem” é abordada a teoria econômica do ser humano
através do tempo. Talvez o que mais falte aos alunos seja a consciência da
historia ao decorrer dos anos, não que falte saber da história, porém talvez o
problema seja na forma de contextualizar e refletir o que foi feito no passado
nas atitudes que são feitas hoje. Muitas pessoas já se desgastaram para que a
sociedade chegasse ao ponto que a vemos hoje.
Desde
o primeiro capítulo, intitulado “Do Feudalismo ao Capitalismo”, onde a
sociedade feudal era formada por: sacerdotes, guerreiros e trabalhadores, longe
de ser uma sociedade justa, a última camada, dos trabalhadores eram que
mantinham os suprimentos e sustentava as outras camadas. Em contradição ao
trabalho que é exercido em sua maioria nos tempos atuais, o trabalho na época
era voltado exclusivamente para a terra, cultivando grãos e guardando rebanhos.
Os guerreiros lutavam em guerras, onde era um hábito comum com intuito
exclusivo de busca de riquezas, mas precisavam ser supridos de suas
necessidades básicas de alimentação e fabricação de armaduras. De forma geral,
os senhores feudais possuíam centenas de feudos, e geralmente 1/3 era domínio
do senhor: o resto, dos arrendatários (camponeses, aldeões, vilões, servos), o
que fazia com que os mantivessem sob seu domínio, sendo que se não trabalhassem
para manter as camadas mais altas eram retiradas suas terras e não possuiriam
mais nada. Sendo assim os arrendatários trabalhavam nas suas próprias terras,
assim como a do senhor, que por sinal era prioridade absoluta. O servo também
era inerente á terra, não era um regime de total escravidão, afinal não
poderiam ser vendidos. Um dos costumes do feudo era ter suas próprias leis,
porém o senhor tinha seus compromissos com os servos, por exemplo, protege-los
com ajuda militar.
No
segundo capítulo, intitulado “Entra em cena o comerciante”, é quando o comércio
começa a vir a tona. Todo o capital da época era estático, imóvel, improdutivo,
por isso não havia saída para o capital, o que significa que nada era comprado:
cada aldeia feudal era autossuficiente, e o servo cultivava o alimento e
fabricava a mobília necessária, não tinham outra maneira de mercado para
conseguir as coisas necessárias. Havia alguma transação, isto é, intercâmbio
entre mercadorias. O mercado semanal, nas proximidades, era a troca do
excedente dos servos, porém altamente controlado por senhores e bispos. Não era
intenso em movimento e trocas, e as estradas para o local eram péssimas, cheias
de saqueadores ou taxas dos senhores feudais. A variação entre moedas e pesos
atrapalhava e, somando os problemas, pouca gente participava do mercado, mesmo
assim, foi se intensificando a passos largos a partir do séc. XI. Mercadores
acompanhavam os guerreiros para prover-lhes com o que fosse necessário, bem
como eles retornavam com o gosto pelas comidas e roupas requintadas que
experimentaram, criando mercado para tais produtos. A população também
aumentou, e o excedente via nas cruzadas a chance de melhorar de vida. Veneza,
Gênova e Pisa eram cidades comerciais, notadamente Veneza, onde suas ruas eram
canais e a população se locomovia em barcos, assim as especiarias eram transportadas
de lá para a Europa. As cruzadas espalharam todas as classes pelo continente,
junto aos comerciantes, os quais despertaram a ânsia por especiarias, tirando a
Europa do sono feudal, tomando a rota do mediterrâneo das mãos dos muçulmanos. O
comércio também se intensificou ao norte, estabelecendo contato com o mundo
russo-escandinavo bem como Veneza constituía o elo da Europa com o Oriente. Um
ponto de encontro chocou o norte com o sul para troca das mercadorias dos dois
mundos: planície de Champagne, nos Alpes, com isso começaram a surgir pedidos
de permissão ao Rei para estabelecimento de Feiras, as quais eram imensamente
maiores e diversificadas comparadas aos “mercadinhos” anteriores. A feira era o
centro distribuidor dos grandes mercadores, que se diferenciavam do artesão ou
do revendedor local, tratando de produtos do norte e do sul, do ocidente e do
oriente. Começavam a surgir privilégios para os estrangeiros comerciarem em
determinados locais, nas feiras. Qual a vantagem para os senhores estimularem
isso? Taxas, que até eram razoáveis para os mercadores. Os dias finais das
feiras eram consagrados a negócios em dinheiro, movimentando um incipiente
sistema financeiro, a profissão dos banqueiros surgiu a partir desses negócios
em dinheiro, e tomou amplo espectro.
Um
dos efeitos mais importantes do florescer do comércio foi o crescimento das
cidades que antes, eram centros militares e judiciários. A visão do senhor
feudal acerca das imposições era arcaica, e deveria ser diferente nas cidades,
onde a atmosfera era de liberdade, entretanto, conflitos eram iminentes. Comerciantes
então aprenderam a se unir contra injustiças (saqueadores, piratas, etc.):
Construíram associações, corporações ou ligas para ultrapassar as restrições
feudais. Detestavam a questão dos
arrendamentos que não permitia que usassem a terra a fim de hipotecar suas
propriedades ou tomar outras ações autônomas, então começaram a achar o sistema
judicial dos feudos por demais inadequados e almejavam criar suas próprias
legislações. Às vezes, senhores feudais calhavam de vender, pouco a pouco,
direitos aos cidadãos, e assim algumas cidades tornavam-se independentes. Entretanto,
muitas cidades só conquistaram liberdade com violência, chegou a uma situação
de diversos níveis de liberdade entre cidades, seja como for, os habitantes
lutavam pelo mínimo documento a fim de comprovar certo distanciamento dos
senhores feudais. Em demasiada luta por atenuação de impostos e taxas,
mercadores saíram na frente e difundiam todo tipo de privilégios às suas
associações e sociedades. Monopólios foram instaurados, inclusive contra
mercadores estrangeiros, constituindo o grupo mais importante das cidades, os
mercadores opinavam até nos “funcionários públicos”, viabilizando sua influência
junto às autoridades.
No quarto
capítulo, intitulado “Surgem novas ideias” tratava-se de uma fase em que os
juros foram considerados CRIME. Por que juros era pecado? Naquele período,
emprestava-se ao vizinho, e a igreja, ditando todas as ações do homem, pautando
o certo e o errado, clamava pecado de usura a cobrança de juros, entretanto,
hoje em dia, pede-se dinheiro a um estranho, da mesma forma que surgiam bancos
e outras instituições naquele passado em questão, portanto, a proibição da
cobrança dos juros passou a ser vista como imprópria, afinal, atualmente
diferenciamos os negócios da vida entre amigos e próximos, o que não fazia
sentido no feudalismo. Além do quê, os juros propiciam “viver de juros”, o
pecado mortal da preguiça conforme a igreja da época. Todavia, a igreja, não
dava importância àquilo que pregava: cobrava juros sem dó nem piedade! Em vista
disso, mostrou-se maleável para ceder. A nascente classe-média, para expansão e
investimentos em negócios, recorria a judeus ou comerciantes que passaram a
fazer do dinheiro seu negócio. Aos poucos a igreja foi cedendo à questão dos
juros, explicitando uma exceção aqui, outra acolá, etc.
No
quinto capítulo intitulado “O Camponês Rompe Amarras” o ponto mais importante
era a possibilidade de mudança na escala social, para o camponês, que estava
preso numa camisa de força econômica. O crescimento do comércio, a introdução
da economia monetária e expansão das cidades foram o ponto de partida para que
ele, camponês, rompesse os laços. Inicia-se a separação da cidade e do campo:
de um lado aqueles totalmente dedicados ao comércio, do outro, os que irão
supri-los com alimentos. Como aumentar a produção para suprir a nova demanda
por alimentos? Inovando os métodos agrícolas e, principalmente, estendendo a
cultura, abrindo novas terras que ainda não haviam sido cultivadas. O camponês,
então, mirava seus olhos nas terras ainda virgens, e por incrível que pareça,
menos da metade das terras era cultivada na época feudal, portanto havia
sobras, ainda que necessitassem de trabalho duro para sua adequação, o anseio
pela liberdade fora seu combustível. Camponeses também requisitaram terras não
aproveitadas pela igreja ou por senhores feudais, sempre tomados pelo anseio de
se livrarem das taxas e adquirirem liberdade, ainda que pagassem dízimos para a
igreja por uma terra pantanosa. Os senhores cresceram o olho nesse “lance
lucrativo de deixar os caras tomarem terras não cultivadas”. Os proprietários
então começaram a ir atrás dos que queriam terras, anunciando suas
oportunidades, esse movimento tornou produtivos milhares e milhares de hectares
antes inúteis. Agora, possuindo terras virgens, ainda que pagando por elas, o
camponês poderia fabricar sua própria sorte, livre de uma vida já escrita em
pedra. Antes o camponês não tinha interesse em descobrir maneiras de produzir
mais, e qualquer excedente era tomado pelo senhor. Daqui em diante ele terá
todos os incentivos financeiros para produzir mais e mais a fim de vender, graças ao mercado crescendo a passos largos. Os
camponeses dos feudos, se não conseguissem aliviar a carga de serviço pagando o
senhor com lucro das vendas, ainda poderiam ir para a cidade ou uma região não
cultivada. Enfim, pela primeira vez tinham opções. O senhor também criou gosto
pela grana e pela luxúria, portanto via com bons olhos o dinheiro em suas mãos,
a fim de comprar roupas e outros produtos da “moda do oriente” na época. Houve
senhores retrógrados que bateram o pé antes de dar liberdade aos servos.
Entretanto, foi a igreja a maior opositora contra a emancipação. A pressão pela
liberdade econômica os fez ceder, ainda que houvesse alguma luta. Neste
intermediário surgiu a Peste Negra onde morreu gente a rodo e isso contribuiu
para o fator liberdade. Com a morte de tanta gente, maior valor seria atribuído
aos serviços dos que continuavam vivos, trabalhadores poderiam pedir mais por
seu trabalho. Oferta de trabalho em baixa: camponês, agora, valia mais do que
nunca, dessa forma, qualquer aluguel de trabalhadores estava cada vez mais caro
para os senhores. Tentaram forçar leis para conter a “inflação” do trabalhador:
a marcha das forças econômicas falava mais alto. O camponês percebeu sua força
e começou a pentelhar forte para concessões que nunca antes obtivera. No
momento em que até mesmo os camponeses que pagavam dinheiro para ter liberdade
em suas terras às arrendavam para outros, determinou-se o fim do período feudal
em função da troca e venda livre da terra.
Os
artesãos, que antes se dedicavam apenas a solucionar questões domésticas, agora
empregavam suas habilidades ao proveito do comércio: padeiro, fabricante de
velas, açougueiro, etc., rumaram à cidade a fim de abrir uma loja, sem que
fosse necessário muito capital. Começavam a contratar auxiliares para aumentar
a produção, que seriam de dois tipos: ajudantes ou jornaleiros. Os aprendizes
eram cedidos por familiares e moravam com o mestre para compreenderem os
segredos da arte. Concluído o aprendizado, poderia abrir sua própria oficina ou
continuar trabalhando com o mestre ou outro mestre na função de jornaleiro,
recebendo salário. Artesãos dominavam a técnica, bem como as ferramentas e a
matéria-prima e, dessa forma, na mesma linha dos comerciantes, formaram
associações daqueles de mesmo ofício numa mesma cidade. Ao contrário dos dias
atuais, não havia distância entre empregador e empregado, viviam juntos, tinham
as mesmas ideias e o empregado viraria empregador no futuro, o que facilitou
com que ambos fossem membros da mesmíssima corporação. Predominava a igualdade
e os degraus da escala de ascensão estavam ao alcance de todos, era uma espécie
de irmandade onde eles se cuidavam, mesmo em épocas de doença ou outras
fragilidades, foi exatamente aqui onde surgiu a aposentadoria. Apesar disso
tudo, o grande desejo por trás da suposta caridade era o monopólio dos serviços
na cidade, somente membros da corporação poderiam exercer a atividade, com
autorização expressa. A própria igreja feudal, toda poderosa, teve que se
curvar aos regulamentos das corporações, tal o poder que exerciam. Não
permitiam nenhum estrangeiro na “parada”, e rolaria pancada se fosse o caso.
Para regular “patentes”, criavam diretrizes ameaçando de morte quem levasse
inovações para fora da cidade. Até mesmo o marketing era proibido para que
alguém atraísse mais clientes do que o vizinho. Para sustentarem o monopólio,
preocupavam-se em demasia com a qualidade dos produtos e do trabalho de seus
associados. Na mentalidade feudal, ninguém pensava em obter mais vantagem que o
outro numa troca comercial, portanto, no início das corporações, a política do
JUSTO PREÇO foi implantada para proteger o público, derivada do antigo conceito
de que usura é pecado. A própria população levava ao pelourinho aqueles que não
praticavam o Justo Preço, bem como as autoridades tinham autonomia para tanto,
ou seja, as corporações não eram as únicas a garantir essa política. Todavia, a
produção em larga escala, bem como fenômenos sazonais, alteravam o valor do
Justo Preço e acabava por desvincular tal paradigma da realidade para o
nascimento do Preço de Mercado. O Justo Preço apenas funcionava em mercados
pequenos, locais e estáveis, nas feiras ocorriam a intervenção de vendedores de
uma área maior, abalando a estabilidade local condições com muitas variáveis
não viabilizam noção exata de preço. Os dias áureos das Corporações sobreviveram
apenas até o séc. XIV. O início do declínio: mestres mais habilidosos começaram
a enxergar com desdenho seus irmãos menos afortunados e iniciaram suas próprias
corporações, visando maior parcela de poder. Houve hierarquia entre
corporações, onde as superiores, inclusive, assalariavam mestres das
inferiores. Corporações mais poderosas e ricas exerciam maior influência e
deixaram de permitir acesso de “subalternos” a cargos superiores. “Coronelismo”
dos chefes das grandes corporações tornou-se comum. Um dos motivos para a
modificação da Corporação, tal como era em seu surgimento, foi o fato de que o
grande número de pessoas chegando às cidades fez os mestres temerem a perda do
monopólio e, portanto, começaram a impedir que “qualquer um” passasse de
jornaleiro a mestre. Os jornaleiros excluídos formaram suas próprias
associações para o monopólio do trabalho, iniciando assim um conceito vago de
sindicato. Lutavam também por melhores salários, iniciando conflitos com os
patrões e leis/regulamentos para impedir esse movimento. Como já citado, a Peste
Negra “bombou” o valor do trabalho, estimulou os “sindicatos” e, portanto, os
conflitos acerca dos salários. As Leis anti-aumento do salário não tiveram
êxito: aprisionar trabalhadores que recebiam mais apenas valorizava ainda mais
os restantes. A posição dos jornaleiros era até confortável em comparação
àqueles que não tinham nenhum tipo de associação, pois estes últimos eram
explorados de todas as formas pelos industriais ricos. Havia extremos nas
cidades, como em Florença, que mesmo nos seus grandes dias contava 20.000
mendigos. As lutas de classe emergiram, pois os frutos da vitória contra os
senhores feudais não foram divididos com a parcela pobre da população. Houve
revoltas, desordem, tensão, as corporações começaram a decair, o poder das
cidades enfraqueceu.
Na
era feudal, havia uniformidade cultural, com o advento das corporações, era
perceptível que num único país cidades diferentes se enxergassem como
estrangeiras. Todavia, isso se modificou no surgimento das nações, inclusive,
daí nasceram as primeiras literaturas de caráter nacional nos países europeus.
Enfim, regulamentações formaram-se abrangendo todas as indústrias de uma nação
inteira. Até mesmo igrejas passaram a ter caráter nacional. A classe média,
maior preocupada com a segurança e maior afetada pelo caos da ausência de
padrões econômicos, queria desesperadamente ordem, afinal, segurança no passado
era com o senhor feudal, e agora? Aí vem o rei! Tão excluído que estava o
pobrezinho, daqui em diante, tornou-se instrumento fundamental para imposição de
ordem generalizada. Observação: a autoridade central (o rei) não retomou seu
poder máximo numa escala gradual, não! A transição foi lenta e irregular, com
idas e vindas, levando séculos para concretizar-se plenamente. As antas
bestiais dos senhores feudais remanescentes estavam numa fria, restritos a duas
situações: ou estavam enfraquecidos por terem perdido terras e servos ou se
exterminavam mutuamente em guerras sem fim. Não esquecer que o rei foi
fundamental na luta das cidades contra os senhores feudais, pois tudo que
enfraquecia os senhores fortalecia o poder real, como recompensa, a burguesia o
ajudava em dinheiro. Daí vossa majestade poderia dispensar a ajuda militar dos
vassalos e dar um “chega aí” no velho exército real, treinado exclusivamente para
lutar. Obviamente a burguesia chorava a grana emprestada ao Rei, porém só
abriam a mão porque sabiam que isso traria vantagens bem definidas e
pré-elaboradas, como por exemplo, a instituição de pesos e medidas nacionais ou
a segurança do exército nas ruas e estradas. Visto que a terra deixou de ser a
base monetária, agora o rei poderia contratar e pagar em dinheiro recolhedores
de impostos, estes também pagos em dinheiro pela população, a época da farra de
terras virou passado. O rei agora manejava seus funcionários, o que antes
competia aos senhores feudais. Foi percebido, também, que o rei só conseguia
encher o bolso com grana na medida em que indústria e comércio prosperassem.
Foi daí que o sábio monarca teve um estalo e sacou que as corporações eram um
entrave asqueroso a essa expansão tão importante dos setores industriais e
comerciais. “Vamos romper barreiras/monopólios até o perímetro nacional.” Contrabalanço,
as comunidades mais ricas e poderosas da Idade-Média foram as últimas a
atingirem a unificação necessária à nova economia justamente porque tinham
corporações difíceis de serem vencidas. A dependência do rei na burguesia
aumentava, e da mesma forma a influencia burguesa no comando real. Nacionalismo
começou a se tornar importante para a burguesia. Na Inglaterra do Séc. XVI, os
Mercadores Aventureiros fizeram o diabo pra chutar o traseiro gordo da Liga
Hanseática (holandesa) dos privilégios comerciais conquistados anteriormente,
em que controlavam na sua estação de Londres toda a importação e exportação
local, impedindo que a Liga Hanseática exportasse lã, roupas e derivados, com a
ajuda de Thomas Gresham, ministro da Coroa em 1597 e conseguiram fechar as
portas londrinas da Hansa. O próximo choque real seria com a igreja. Rei e Igreja
brigaram diversas vezes, por exemplo, queriam disputar nomeação de bispos e
abades pra ver quem botaria a mão na grana do povo (dízimo). O papa era
poderoso, mais do que qualquer senhor feudal e a Igreja era o cúmulo da
riqueza. Quase metades das terras eram desta instituição. Os reis começaram a
encarar o excesso de fortuna da igreja como algo que devesse ser taxado. Outro
ponto de conflito foi que havia tribunais religiosos suplantando os tribunais
reais, e muitas vezes o rei era contrário à decisão dos religiosos. Pra ter uma
ideia, o Papa queria se meter até em assuntos internos de um país. A coisa
esquentou! Até os mais fanáticos conseguiam enxergar a corrupção generalizada
da igreja. A reforma protestante de Martin Lüther só vingou porque ele não
defendeu os oprimidos e ficou do lado da nobreza. A igreja, no passado, teve
sua serventia para colocar trégua em guerras de senhores, para “educar” o
rebanho, mas agora o rei sustaria facilmente essas tolas guerras feudais, bem
como os próprios mercadores já instituíam suas próprias escolas, portanto ela perdeu
muito de sua importância. Antes, o Direito da igreja era supremo, agora, o Direito
romano fora ressuscitado. Esse novo grupo, a nascente classe média, sentia que
havia um obstáculo no caminho de seu desenvolvimento: o ultrapassado sistema
feudal. A classe média compreendia que seu progresso estava bloqueado pela
Igreja Católica, que era a fortaleza de tal sistema. A Igreja defendia a ordem
feudal, e foi em si mesma uma parte poderosa da estrutura do feudalismo. Era dona,
como senhor feudal, de cerca de um terço da terra, e sugava ao país grande
parte de suas riquezas. Antes que a classe média pudesse apagar o feudalismo em
cada país, tinha de atacar a organização central, a Igreja. E foi o que fez. A
luta tomou um disfarce religioso. Foi denominada Reforma Protestante. Em
essência, constituiu a primeira batalha decisiva da nova classe média contra o
feudalismo.
Reis
da Idade Média recorriam frequentemente à desvalorização da moeda para
conseguir riqueza. O rei, safado, dava uns “tapas” na moeda original deixando o
que era antes 100% prata virar 50% prata e 50% latão. Nominalmente era a mesma
moeda, entretanto, na prática, ele dividiu uma moeda em duas, o que aumentava
os preços. Em termos práticos, isso era um estupro financeiro nos pobres. Eles,
assalariados, de renda fixa, foram os principais prejudicados nesta manobra
monetária, em consequência dessas alterações, as pessoas ficaram frequentemente
sem saber quanto vale uma moeda de ouro ou prata, de forma que têm de discutir
tanto sobre o seu dinheiro como sobre seus salários, o que é contrário à
natureza. Em consequência das alterações e
reduções deixam de vir mercadorias dos países estrangeiros com suas boas
mercadorias, para os países onde sabem que o dinheiro é mau. Além disso, no
próprio país onde essas modificações ocorrem, o intercâmbio de mercadorias é de
tal forma perturbado que mercadores e artesãos não sabem como negociar entre si.
Ouro e prata eram fundamentais para o desenvolvimento do comércio e,
dessa forma, leis foram impostas para que tal material fosse retido em cada
país. Outro fator escandalizador do preço residia nos perigos incutidos na
obtenção das especiarias do Oriente: milhares de quilômetros através de
montanhas e desertos, em camelos, cavalos, mulas ou carregando nas costas, sob
ataque de tribos cruéis, diante de tempestades marítimas e piratas assassinos,
além dos infinitos impostos de portagem, somados ao lucro dos monopolistas. O
preço final era ótimo! Isso ocorreu às mercadorias mais procuradas do oriente
no Séc. XV, até que todos esses produtos chegassem a Veneza, o preço era apenas
altíssimo. Já quando os venezianos revendiam as paradas aos mercadores do sul
da Alemanha os preços subiam a cifras espetaculares. Nisso, mercadores de
outros países cresceram o olho e queriam mamar, também, nesse lucro sinistro.
Mas o que fazer para evitar Veneza? Afinal, os venezianos controlavam as rotas.
Poderiam tentar outro caminho para atingir as índias? Sim! Agora que os
marinheiros dispunham de adequada instrumentação para navegações profundas,
resolveram partir adoidados pra descobrir as tais rotas. Vasco da Gama navegou
o continente africano até aportar em Calecute, Índia, descobrindo o caminho
marítimo. Vasco lucrou 6.000% em sua primeira viagem à Índia! Por consequência,
o comércio intensificou-se ainda mais: se antes Veneza comprava por ano 420mil
libras de pimenta do sultão do Egito, agora um único navio regressando a
Portugal trazia 210mil libras. O caminho para o Oriente via Cabo da Boa
Esperança, tornou os mercadores independentes da benevolência com que os turcos
os tratavam e rompeu o monopólio veneziano. O Atlântico tornou-se a nova rota
mais importante, e Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França ascenderam à
eminência comercial. A organização tradicional das associações que se haviam
criado para negociar com as velhas rotas de comércio não se adaptava às novas
condições. O comércio a uma distância considerável, em terras desconhecidas,
com povos estranhos, e sob condições pouco familiares, necessitava um novo tipo
de associação e, como sempre acontece, surgiu esse novo tipo, para atender às
necessidades. A sociedade por ações! Essa foi à época áurea do comércio, quando
se fizeram fortunas , o capital acumulado, que formariam o alicerce para a
grande expansão industrial dos séculos XVII e XVIII. Os Fuggers Iniciaram seus negócios no século XV com um
estabelecimento comercial de lã e especiarias. Mas foi como banqueiros que
fizeram fortuna. Emprestava capital a outros mercadores, a reis e príncipes e,
em troca, recebiam proventos de minas, de especulações comerciais, de terras da
coroa, de praticamente todo tipo de empreendimento que desse lucro. Quando os
empréstimos não eram repostos tornavam-se donos de propriedades, minas, terras,
o que tivesse sido dado como garantia. Até o papa devia dinheiro aos Fuggers.
Estes tinham ramificações e agentes em toda parte. Antuérpia era o centro de toda essa atividade
financeira e comercial. Quando a corrente do comércio se deslocou do
Mediterrâneo para o Atlântico, as outrora grandes cidades italianas entraram em
declínio e Antuérpia tomou seu lugar. Não era o tamanho que a tornava grande,
tinha apenas uma população de cerca de 100 mil habitantes. Era, sobretudo, o
fato de estar livre das restrições de toda natureza. Antuérpia era o paraíso
sem as irritantes leis, taxas e regulações restringindo todo tipo de comércio
ou a estrangeiros. Enquanto as demais cidades na Idade Média dificultavam aos
mercadores estrangeiros a prática de negócios dentro de seus muros, Antuérpia
os recebia de braços abertos. Tratemos também da venda feita através de amostras de mercadorias padronizadas e reconhecidas,
isto é, em vez de ter à mão toda a mercadoria, para passá-la ao comprador, o
tipo moderno de corretor e agente entrou em cena. Vendia suas mercadorias
através de uma amostra-padrão. As feiras, que deviam sua importância
principalmente à suspensão temporária das costumeiras restrições ao comércio,
receberam o golpe de morte de um mercado que era sempre livre. O antigo mercado
fora superado pelo intercâmbio em bases modernas. Foi por essa época, em
Antuérpia, que o moderno instrumental de finanças entrou em uso diário. Os
banqueiros inventavam formas e meios de efetuar pagamentos para que o
intercâmbio de mercadorias se fizesse fácil e rápido. O Sistema Financeiro moderno. Isto é: de um
lado você me deve, de outro lado eu devo a você, cancelamos as dívidas e nos
proporcionamos compensações mútuas e raramente utilizamos dinheiro para efetuar
os ditos pagamentos.
Já
no nono capítulo, intitulado “Homem Pobre, Mendigo Ladrão” Os dados de mendigos
nos séculos XVI e XVII na Europa são surpreendentes. A causa desse grande
número de mendigos, miséria e sofrimento foram as guerras, que devastaram
populações em todos os cantos da Europa. “Enquanto os mercadores da Inglaterra,
Holanda e França amontoavam fortunas enormes no comércio, os espanhóis haviam
descoberto uma forma mais simples de aumentar as somas de dinheiro de seu
tesouro, embora seus exploradores não tivessem conseguido descobrir uma rota
para as Índias que lhes proporcionasse lucros comerciais, esbarraram com os
continentes da América do Norte e do Sul.” Nesse período os espanhóis compravam
mais do que vendiam. Essa grande quantidade de ouro e prata que veio do Novo
Mundo e se espalhou por toda a Europa causando aumento dos preços (Inflação).
Devido a grande quantidade possuída de riqueza a moeda desvalorizava-se. Resultantes
do aumento de preço os beneficiados foram os Mercadores que mesmo com suas despesas se elevando, os lucros de seus
negócios aumentavam, ou seja, pagavam mais para comprar, mas na hora de vender
cobravam mais ainda. Também se beneficiaram as pessoas de renda fixa, os que
tinham arrendamento em longo prazo podiam vender produtos que produziam em sua
terra muito mais caro e lucrar com isso. Os prejudicados foram os governos, por
exemplo, tinham dificuldades cada vez maiores em equilibrar a receita e a
despesa. A renda era fixa, ao passo que as despesas aumentavam sempre. Foi um
período de modificação, quando o Estado nacional despontava e a organização
financeira dos governos estava desatualizada. Foi nesse período que as dívidas
dos reis com a burguesia se acentuaram e a nobreza passou a depender fortemente
de empréstimos dos burgueses. Os salários dos trabalhadores também foram
fortemente afetados, pois os preços sobem e o salário continua sempre o mesmo.
Muitos trabalhadores tornaram-se mendigos por não conseguir custear suas
necessidades básicas. A população de
renda fixa também sofreu muito, classe que vivia de anuidades, pensões ou renda
de bens, os proprietários de terras foram os mais prejudicados. Para os arrendatários conseguirem estabilizar
suas rendas diante do aumento do preço eles acabaram por fechar muitas de suas
terras e também aumentavam bastante os preços dos arrendamentos. Foi nesse
período que teve inicio o cercamento das terras tornando as propriedades
conjuntos interinos de hectares. Essas cercas traziam benefícios e melhoras na
produção, mas existia também outro tipo de cerca que era extremamente
prejudicial à cerca que era colocada para criação de ovelhas. Os arrendatários
passaram a expulsar os arrendados das terras em que viviam e produziam para
criar ovelhas, pois viam muito mais oportunidade de lucro com a criação desses
animais do que com o arrendamento. Nem todas as cercas eram colocadas para
criação de ovelhas os senhores colocavam as cercas, pois era muito mais fácil
administrar uma grande fazenda do que grupos de fazendas pequenas. Os senhores
fechavam cada vez mais suas terras e quando não as fechava aumentava
extremamente o preço do arrendamento o que causou evacuação de aldeias e
milhares de pessoas passando fome, e cada vez mais pessoas se tornavam
mendigas. Esses grupos de mendigos constituíam, ainda, um verdadeiro perigo, ocorreram
incêndios, derrubadas de cercas, motins. Foram aprovadas, por isso, leis contra
o fechamento de terras. A primeira foi baixada em 1489 e as demais durante todo
o século XVI. Mas a frequência com que tais leis apareciam mostra que não eram
cumpridas. O fato é que os senhores locais eram também os juízes locais, de
forma que a lei não era imposta com rigor. A velha ideia de que a terra era
importante em relação ao total de trabalho sobre ela executado desapareceu. O
desenvolvimento do comércio e indústria, e a revolução dos preços, tornaram o
dinheiro mais importante do que os homens, e a terra passou a ser considerada
como fonte de renda. Quando a indústria capitalista teve necessidade de
trabalhadores, encontrou parte da mão-de-obra entre esses infelizes desprovidos
de terra, que haviam passado a ter apenas a sua capacidade de trabalho para
ganhar a vida. Ou seja, os futuros trabalhadores dos chão das fábricas foram
esses homens que devido a falta de uma terra para trabalhar não tinham do que
viver e precisavam de alguém que os empregasse.
A expansão do mercado foi a principal força que produziu
a indústria capitalista atual. Produzir mercadorias para um mercado pequeno e estável,
onde o produtor fabrica o artigo para o freguês que vem ao seu local de
trabalho e lhe faz uma encomenda, é uma coisa. Mas produzir para um mercado que
ultrapassou os limites de uma cidade, adquirindo um alcance nacional, ou mais,
é outra coisa inteiramente diferente. As
corporações atendiam a um mercado local então devia a essa expansão de mercado
é que ela perdeu sua utilidade. A ampliação do mercado criou o intermediário, que chamou
a si a tarefa de fazer com que as mercadorias produzidas pelos trabalhadores
chegassem ao consumidor, que podia estar a milhares de quilômetros de
distância. O próprio mestre artesão exercia 5 tarefas: era negociante,
empregador, capataz e comerciante lojista, ou seja não
bastava apenas ele produzir ele também tinha q eu executar todas essas tarefas.
Foi então que surgiram os intermediários que fizeram com que a tarefa dos
mestres se reduzisse a apenas três: trabalhador, empregador, capataz. Os
ofícios de mercador e comerciante deixaram de ser atribuição sua, O
intermediário lhe entrega a matéria-prima e recebe o produto acabado. O
intermediário coloca-se entre ele e o comprador. A tarefa do mestre artesão
passou a ser simplesmente produzir mercadorias acabadas tão logo recebe a
matéria-prima. William Petty, famoso economista do século XVII, pôs em
palavras aquilo que o intermediário estava fazendo na prática. “A fabricação da
roupa deve ficar mais barata quando um carda, outro fia, outro tece, outro
puxa, outro alinha, outro passa e empacota, do que quando todas as operações
mencionadas são canhestramente executadas por uma só mão.” Quando se emprega um
grande número de pessoas para fazer certo produto, podemos dividir o trabalho
entre elas. Cada trabalhador tem uma tarefa particular a fazer. Executa-a repetidamente
e em consequência se torna perito nela. Isso poupa tempo e acelera a produção. Os intermediários
eram contra os métodos antigos de monopólio realizado pelas corporações, pois o
trabalho desse intermediário é dinâmico e esses preceitos corporativos
atrapalhavam e muito o desenvolvimento do trabalho. Foi a partir daí as corporações começaram a perder sua força,
e foram lentamente se extinguindo e evoluindo para as industrias, em um lento
processo. As corporações só foram abolidas legalmente na França
depois da Revolução. Na Inglaterra, somente em princípios do século XIX
perderam seus privilégios. As corporações tentaram lutar contra seu fim, mas foi em
vão, pois os sistemas corporativos não conseguiam atender a grande demanda de
mercadorias que crescia cada vez mais. Para os camponeses que haviam sido prejudicados com o
fechamento de terras, essa difusão da indústria pelo campo foi uma oportunidade
de aumentar de alguns xelins a sua reduzida renda. No sistema de
corporações, que surgira com a economia urbana, o capitalista tinha apenas um
pequeno papel. Com o sistema de produção doméstica, surgido com a economia
nacional, o capital passou a ter papel importante. Era necessário muito
dinheiro para comprar a matéria-prima para muitos trabalhadores. Era necessário
muito dinheiro para organizar a distribuição dessa matéria-prima e sua venda
como produto acabado, mais tarde. Era o homem do dinheiro, o capitalista, que
se tornava o orientador, o diretor do sistema de produção doméstica. Ou seja,
os artesões produziam em suas casas com suas ferramentas mais quem os
controlava eram os intermediários do século XVI ao XVIII os artesãos independentes da Idade
Média tendem a desaparecer, e em seu lugar surgem os assalariados, que cada vez
dependem mais do capitalista-mercador-intermediário-empreendedor.
No
capítulo 11, intitulado “Ouro, Grandeza e Glória” O mercantilismo era um conjunto de teorias econômicas aplicadas
pelo Estado, num esforço para conseguir riqueza e poder, lembrando que neste
momento o conceito de riqueza está relacionado ao acúmulo de ouro e prata. Em
harmonia com essa teoria, os governos baixaram leis proibindo a exportação
desses metais, incluindo até bandejas, vasilhas, jóias, sem a autorização do
rei. Para os países que não dispunham de minas, seja em suas fronteiras ou
através de colônias, os mercantilistas ofereceram a opção da balança comercial
favorável, a qual consistia na dedicação ao comércio exterior, observando a
seguinte regra: vender mais e comprar menos, exigindo-se que o valor das exportações
fosse pago uma parte em mercadoria e a outra paga, necessariamente, em outro e
prata. Adotar o sistema da balança comercial favorável significava, portanto,
estimular a indústria por todos os meios possíveis, pois os produtos
manufaturados valiam mais que os agrícolas. Também se fazia necessário que a
indústria produzisse aquilo de que o povo necessitava, a fim de diminuir as
importações e aumentar a autossuficiência do país. Foram adotados vários meios
para fomentar a indústria, entre eles: prêmios dados pelos governos aos
fabricantes de produtos para exportação, tarifa protetora contra competição
estrangeira, usar a isenção de impostos, moradia de graça, monopólio por
determinado tempo no ramo e empréstimos para atrair trabalhadores habilidosos ou
capazes de introduzir novos ofícios e métodos. Todavia, havia um paradoxo,
pois, ao mesmo tempo em que se faziam esforços para atrair estrangeiros e
impedir a saída dos trabalhadores locais, ocorria a expulsão de pessoas
industriosas por motivos exclusivamente religiosos, como aconteceu no caso dos
huguenotes (protestantes franceses) no séc. XVII. Com a fomentação da indústria
e incentivos aos inventores de novos processos, ocorreu um importante fato: o
aumento do emprego, por isso, a indústria que promovesse emprego devia ser
estimulada. Os mercantilistas também consideravam essenciais as seguintes
medidas: Construção de uma marinha mercante, para transporte de mercadorias e
defesa da pátria e dar atenção à produção de cereais, para assegurar alimento
ao povo, a fim de que estivesse forte caso tivesse uma guerra. Com o declínio
da Espanha em fins do séc. XVI, a Holanda assume o transporte mundial das
mercadorias, fato que desagrada os demais países, em especial Inglaterra e
França, as quais vão passar a construir suas próprias frotas. No caso da
Inglaterra, foram baixadas Leis de Navegação com o objetivo de tomar dos
holandeses o controle dos serviços marítimos. Nessa política, a metrópole se
une a colônia na luta contra o estrangeiro (Holanda), o que possibilitou, no
caso dos americanos, a construção de sua própria marinha mercante, parte do
monopólio do transporte marítimo britânico e, consequente acúmulo de riqueza.
No entanto, fazia parte do pensamento mercantilista à crença de que a colônia
era apenas outra fonte de renda da metrópole, a ponto destas criarem leis
proibindo os colonos de iniciarem qualquer tipo de indústria que pudesse
competir com a metrópole. A Colônia devia limitar-se a ser o fornecedor de
matéria-prima e o consumidor dos produtos industrializados pela metrópole. Tal
situação levou ao surgimento de lutas pela independência, como, por exemplo, os
Irlandeses querendo libertar-se dos britânicos, etc. Os mercantilistas
acreditavam que, no comércio, o lucro de um país dependia do prejuízo do outro,
não o consideravam como algo que pudesse proporcionar benefícios mútuos.
Portanto, o fruto dessa política só poderia consistir em guerras, uma vez que
passa a ser necessária a luta pelos mercados, pelas colônias, etc.
Com
o passar do tempo um número cada vez maior de pessoas que não concordava com a
teoria nem com a prática mercantilistas. A burguesia se via limitada, pois não
tinham participação nos enormes lucros das companhias monopolizadoras
privilegiadas pelo Estado, nem podiam exercer livremente o poder que o dinheiro
lhes dava. Do outro lado existia a classe trabalhadora, explorada e cansada de
pagar altos impostos enquanto a nobreza era totalmente isenta. Queriam o
comércio livre. Os governos, no intuito de uma classe, no caso as indústrias,
acabavam por prejudicar outra. Os mercadores, também insatisfeitos com as
restrições mercantilistas, passaram a lutar por seus interesses, no entanto,
dizendo se tratar de uma política que melhor traria riqueza e prosperidade ao
país, alegavam que o comércio livre permitiria a importação das mercadorias
cuja produção o solo, clima, capital e indústria de outros países são aptos,
pagando tais produtos com a exportação dos artigos que melhor produz. Além
disso, diziam que a regra de comprar barato e vender mais caro, até então
aplicada individualmente, poderia ser aplicada nacionalmente. Portanto, uma
política assim faria do comércio mundial um intercâmbio de vantagens mútuas,
podendo melhorar a vida entre os habitantes de todos os países. Nesse contexto surge Adam Smith que,
diferente dos mercantilistas, se ocupava do estudo das causas que influenciavam
a produção e distribuição da riqueza. Os mercantilistas usavam o discurso de
que o país estaria sendo beneficiado usando esta ou aquela política para, na verdade,
defender seus próprios interesses, já Adam Smith procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da
atuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse, promoviam
o crescimento econômico e a inovação tecnológica.
No décimo terceiro capítulo, intitulado “A velha ordem
mudou” o governo francês do século XVIII taxava só os pobres. Devido à crise, o
governo passou a pensar em taxar também os privilegiados. Turgor, ministro das
finanças, em 1776, tentou por em prática algumas reformas. A sociedade estava
dividida em Estados: Clero, Nobres, Pobres. As extravagâncias da corte forçaram
a cobrança de mais impostos. Dos 22 milhões de camponeses existentes na França
em 1700, havia apenas 1 milhão de servos, no sentido antigo, mas isso não significava
que as velhas taxas e serviços feudais tivessem desaparecido. Algumas sim, mas
outras continuavam. Surpreendentemente o camponês pagava 80% de impostos de
todo seu rendimento e dos 20% que restavam ele tinha que alimentar, abrigar e
vestir sua família. A revolução francesa
eclodiu no século XVIII, no entanto, a situação deles do século XVII era bem
pior. Foi essa classe média, a burguesia, que provocou a Revolução Francesa, e
que mais lucrou com ela. Quem era a burguesia? Eram os escritores, os doutores,
os professores, os advogados, os juízes, os funcionários, as classes educadas.
Eram os mercadores, os fabricantes, os banqueiros que já tinham direitos e
queriam mais, precisavam lançar fora o jugo da lei feudal numa sociedade que
realmente já não era feudal. A burguesia quase não possuía terras, mas possuíam
o capital. A mesma desejava que seu poder político correspondesse ao poder
econômico que já tinha. O que é o terceiro estado? Tudo. O que ele tem? Nada.
Somente a burguesia conseguiu o que queria. Foi ela quem mais lucrou. A
revolução foi realizada pelas classes pobres e miseráveis.
No décimo quarto capítulo, intitulado “De
Onde Vem o Dinheiro?” o dinheiro só se
torna capital quando é usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade
de vendê-los novamente, com lucro. Quando o dinheiro é empregado num
empreendimento ou transação que dá lucro ou promete dar, esse dinheiro se
transforma em capital. É a diferença entre comprar para uso e comprar para
vender com o objetivo de ganhar. É a força de trabalho do operário que o
capitalista compra para vender com lucro, mas é evidente que o capitalista não
vende a força de trabalho de seu operário. O que ele realmente vende com lucro
são as mercadorias. O lucro vem do fato de receber o trabalho um salário menor
do que o valor da coisa produzida. A Holanda foi a principal nação capitalista
do século XVII. Depois dela, vinha a Inglaterra. Como os Ingleses conseguiram o
capital necessário para a revolução industrial? Pelo trabalho árduo? Vida Comedida?
Longa poupança? O comércio com as colônias trouxe riqueza à metrópole. Fez as
primeiras fortunas dos comerciantes europeus. A maior fonte de acumulação, no
entanto, foi o comércio de seres humanos, os negros nativos da África. Quando
os trabalhadores têm acesso aos próprios meios de produção, não trabalham para
outro. Destituídos dos meios de produção, não têm escolha. Vendem a única coisa
que lhes restam. A história da criação de uma oferta necessária à produção
capitalista deve, portanto, ser a história de como os trabalhadores foram
privados dos meios de produção. O trabalhador sem terra fica pronto para ir à
indústria em busca de emprego. Não pense que os donos de terra estavam
expulsando os camponeses para proporcionar uma força de trabalho à indústria.
Isso jamais lhes ocorreu. Estavam interessados apenas em arrancar maiores
lucros da terra. Foi o próprio sistema fabril, que finalmente divorciou o
trabalhador dos meios de produção na indústria, tal como já o divorciara da
terra. O trabalho manual não tinha como competir com o mecanizado. A formação da classe trabalhadora sem
propriedades foi fundamental para o capitalismo industrial. Os ensinamentos de
Calvino estavam particularmente dentro do espírito da empresa capitalista. Era
melhor cristão o homem cujas atividades fossem mais adequadas à aquisição de
fortuna, ao espírito do capitalismo. Da próxima vez que alguém lhe disser que é
da natureza humana o desejo de lucro, o leitor poderá mostrar como tal desejo
se transformou em natureza humana. Mostrar que a poupança e o investimento
praticamente desconhecidos na sociedade feudal, se tornaram um dever na
sociedade capitalista para a glória de Deus.
No
décimo quinto capítulo, intitulado “Revolução: na indústria, na agricultura e
transporte” a máquina já vinha ajudando o homem no trabalho diário já um bom
tempo. Mas com a associação da máquina à força do vapor ocorreu uma modificação
importante no método de produção. O aparecimento da máquina movida a vapor foi
o nascimento do sistema fabril em grande escala. O crescimento da população
tornou lucrativa a agricultura. A revolução na indústria e agricultura foi
acompanhada pela revolução nos transportes.
Qual
foi a causa das greves? Todos os números do século XVIII na Inglaterra provam o
progresso. Pelos números de crescimento, a Inglaterra se mostrava como o
paraíso mundial. Para o trabalhador, as estatísticas não significavam nada. Em
termos de felicidade e bem-estar dos trabalhadores, aquelas estatísticas róseas
diziam mentiras horríveis. O sistema fabril acentuou ainda mais a divisão
social. Os destruidores de máquinas, chamados luditas, ao lutarem contra a
maquinaria sentiam que lutavam por um padrão de vida. Em 1812 o parlamento
aprovou uma lei tornando possível de pena de morte à destruição das máquinas. O
voto universal foi fruto de muita luta, não foi algo concedido espontaneamente.
Na Inglaterra, a classe trabalhadora alinhou-se atrás do movimento cartista,
que reivindicava o sufrágio universal para os homens, pagamento aos membros
eleitos, parlamentos atuais e o sufrágio secreto. O governo é instituído em
defesa da propriedade privada, consequentemente, da defesa do rico contra o
pobre. A revolução industrial favoreceu a organização de sindicatos nacionais.
Isso por que houve maior concentração de trabalhadores nas cidades.
O universo físico é regido por leis naturais. O
conhecimento das leis permite ao homem planejar melhor as ações. De mesmo modo
os economistas da época da revolução industrial desenvolveram uma série de leis
que, diziam, eram tão válidas para o mundo social e econômico como as leis dos
cientistas para o mundo físico. A verdade científica sempre foi questionada. A
revolução industrial na Inglaterra trouxe consigo teorias econômicas baseadas
nas condições da época. A Revolução Industrial ocorreu ali primeiro, os
industriais ingleses começaram antes dos industriais do resto do mundo, estando
à frente deles em métodos, em máquinas, em facilidades de transporte. Os
ingleses podiam e estavam prontos a cobrir a terra com os produtos de suas
fábricas. Portanto, o comércio internacional livre lhes servia. Para os países
atrasados o comércio internacional seria arrasador. Seria necessário que todos
os países tivessem um nível econômico parecido. Preço barato de mercadorias
importadas significava ruína da indústria nacional. O país rico não era aquele
que tinha estoque de valores, mas aquele que detinha capacidade produtiva de
valores. O certo é que para as economias incipientes, as barreiras tarifárias
deveria ser regra, a fim de proteger o mercado doméstico. Somente depois que reunisse forças
suficientes, ela poderia aventurar-se no comércio mundial livre, para lutar. A
escola clássica não ficou ausente de opositores.
No
décimo oitavo capítulo, intitulado “Trabalhadores de todos os países: uni-vos!”
a visão utópica elimina a pobreza, o desperdício, a má distribuição, a
injustiça, a miséria. Estabelece a justiça, a saúde e felicidade para todos. Os
utópicos sonhavam com um mundo anticapitalista. Para eles, os males
capitalistas vinham do fato dos ricos terem os meios de produção. Surge Carl Marx desejando tal sociedade, mas
contra as utopias. Estava tremendamente
interessado na sociedade do passado, em como evoluiu, desenvolveu-se e decaiu
até se tornar a sociedade do presente. Estava tremendamente interessado na
sociedade do presente porque desejava descobrir as forças que nela provocariam
a modificação para a sociedade do futuro.
Desejava saber que movimentava as rodas da sociedade capitalista onde
vivia. Ao estudar o capitalismo, afirmou que o socialismo o sucederia. Julgou
que o socialismo viria como resultado de forças definidas que operavam na
sociedade, sendo necessária uma classe trabalhadora revolucionária organizada
para provocá-lo. A Economia de Marx pode ser chamada de Economia do
Trabalhador, porque nela o trabalhador verifica seu importante lugar no esquema
das coisas, e encontrava também esperanças no futuro. Para Marx o problema do
Capitalismo está no fato dele se basear na exploração do trabalho. Para Marx
dizia que a exploração capitalista se dava se forma mais oculta e mascarada. A
teoria da mais-valia arrancou-lhe a máscara. A teoria do valor-trabalho foi
defendida também por Smith, Ricardo e Stuart Mill. Segundo essa doutrina, o
valor das mercadorias depende do total de trabalho necessário para produzi-las.
Marx diferencia o bem da mercadoria. O capitalismo produz mercadorias. Um bem
se transforma em mercadoria ao ser produzido não para o consumo direto, mas
para a troca. A troca é possível por terem algo em comum: o trabalho. O valor é
a quantidade de trabalho socialmente necessária para produzir a mercadoria. O
trabalho é uma grandeza única, portanto, possível de ser comparável. O
assalariado é livre. A única coisa que tem para vender é sua capacidade de
trabalho. Os donos dos meios de produção ganham empregando aqueles que não são.
O valor da força de trabalho? Igual a todas as coisas necessárias à sua vida,
e, como o suprimento do trabalho de ser permanente, ao custo da manutenção da
família. A mercadoria “força de trabalho” é especial. Ela produz algo mais algo
a mais quando é gasta. Quando o trabalhador se aluga, vende sua força de
trabalho não apenas pelo tempo que leva para produzir o valor de seus salários,
mas pela extensão de todo um dia de trabalho.
O trabalho era uma grandeza objetiva, passível de ser
medida. A utilidade é inteiramente subjetiva. Pessoas obtêm satisfações
diferentes de uma mesma mercadoria. Mas um mesmo carro não poderá ser vendido
por diferentes preços num mesmo mercado. A utilidade como medida do valor,
embora sendo subjetiva, pode ser medida. A explicação mais simples é a seguinte: o
total de satisfação que conseguimos de um artigo depende da quantidade que já
possuímos. Quanto maior esta, tanto menor a satisfação, quanto mais temos de
uma coisa, tanto menos desejamos da mesma coisa. Após a independência, os EUA
não praticaram o livre comércio, pelo contrário, pôs em prática o
protecionismo. As mercadorias inglesas tiveram muita dificuldade em pular essas
barreiras. Os melhores fregueses então foram aqueles que adotaram o livre
comércio, justamente aqueles que não conseguiram desenvolver sua indústria a
ponto de fabricar aquilo necessário para atender a demanda interna. Formaram-se
os monopólios: fusão, concentração. O monopólio não foi uma imposição, mas uma
evolução da própria concorrência. O monopólio surgiu de dentro da concorrência.
A produção em escala diminui o custo unitário, consequentemente, poderá ser
vendida a um preço menor. A concorrência
sempre termina com a ruína dos capitalistas pequenos.
No
vigésimo capítulo, intitulado “O Elo Mais Fraco” aborda o fato de que a crise
não é novidade em nenhum período histórico. Mas há uma nítida diferença entre
as surgidas antes do crescimento capitalista e as que apareceram depois. Antes
do século XVII o tipo mais comum de crise era provocado pelo fracasso das
colheitas, pela guerra, ou por algum acontecimento anormal, eram caracterizadas
pela escassez de alimento e outros artigos necessários, cujos preços se
elevavam. A crise capitalista não é de escassez, mas pela superabundância. O
paradoxo é a existência da pobreza em meio a abundância. O fato é que no
sistema capitalista, as mercadorias não são produzidas para uso, mas para troca
com lucro. Em nossa sociedade os minérios são extraídos da terra, as plantações
são colhidas, os homens encontram trabalho, as rodas da indústria se
movimentam, e as mercadorias são compradas e vendidas, somente quando os donos
dos meios de produção, a classe capitalista, veem uma oportunidade de lucro. Os
capitalistas não investem para ganhar medalhas, mas lucro. Não se trabalha por
patriotismo, não fazem serviço público. Somente o dinheiro tem importância. Não
produzem para atender a demanda.
No
vigésimo primeiro capítulo, intitulado “Rússia tem um plano” aborda o fato de
que o que com Marx era teoria foi posto em prática por seus discípulos, Lênin e
outros bolcheviques russos ao tomarem o poder em 1917. Antes disso, os
ensinamentos de Marx eram conhecidos de um pequeno grupo de dedicados adeptos.
Depois, esses ensinamentos atraíram toda a atenção do mundo. Antes daquela
época os comunistas apenas podiam prometer que sua teoria, se posta em prática,
criaria um mundo novo e melhor, depois, poderiam apontar para um sexto da
superfície da terra e dizer: ―Eis aí. Vejam. Funciona.
Dez
dias que abalaram o mundo – a economia socialista é planificada. O objetivo é o
bem-estar da maioria. Os países capitalistas ficaram receosos de que a classe
trabalhadora de seus respectivos países seguisse o exemplo soviético. Na União
Soviética é o próprio Estado que recebe os lucros da atividade econômica e
dirige esses fundos aos canais onde, segundo o plano, serão mais úteis. O
estado monopoliza o comércio com o exterior. - Na economia planificada, a falha
num setor econômica afeta todos. Diziam que a economia soviética iria estagnar
devido a falta da ganância em querer ir além, o incentivo que só o desejo pelo
lucro dá. No socialismo existe a cordial concorrência entre os grupos de
trabalho. A crise de 29 não afetou o mundo socialista. Quando o ano de 1789
chegou, cerca de um terço das terras da França estava em suas mãos.
No vigésimo segundo capítulo e
último, intitulado “Desistirão Eles do Açúcar?” aborda o fato de que quando se
estoura uma revolução do nível da que surgiu na Rússia com Lênin, é sinal de
que realmente as coisas não vão bem. Naquela ocasião, a grande maioria das
pessoas, trabalhadores pobres viviam em situação de clara miséria. Para agravar
a situação, a crise obrigava os produtores a jogar fora seu produto por não ter
como vender, ou para combater os preços baixíssimos. Além dessas
circunstâncias, a massa pobre observava um grupo muito pequeno ainda imerso em
luxo às expensas daqueles sofridos homens. Alguns países até tentaram realizar
ações postas em prática na Rússia de Lênin. O problema era que ao contrário da
Rússia, esses países eram puramente capitalistas, assim, as medidas adotadas
por Lênin e que mostraram bons resultados, eram um fracasso em outros países.
Diante dessa série de tentativas sem nada resolver surge os regimes fascista em
alguns países. Estes pretendem solucionar o problema, mas nada resolvem. Assim,
desde essa primeira grande crise, o capitalismo vem se mostrando cada vez mais
vulnerável, cada vez mais contraditório, cada vez mais desumano. Não é difícil
hoje apontar inúmeros pontos pelos quais seria justo reivindicar um novo modelo
de sociedade, e se pararmos para analisar, a única tentativa que poderia ter
dado certo foi a realizada por Lênin, ou a proposta de Marx. Mas como sempre,
ainda há hoje os que defendem esse modelo econômico e criticam o projeto
marxista apontando para os defeitos da Rússia socialista ou de Cuba. Afirmamos
que, se estes julgam ser o socialismo negativo, é porque se beneficiam do
capitalismo, e como tal, não enxergam nada além do próprio lucro. Estes
certamente não são artistas, pois como escreve Huberman, a revolução é uma
arte.
‖
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Resenha do livro Da cultura do corpo
Referências bibliográficas
e especificações:
Da cultura
do corpo I Jocimar Oaolio. -- Campinas, SP
Papirus, 1995. -· (Coleção corpo e motricidade)
Sites : olharfitness.blogspot
http://www.unicamp.br/unicamp/imprensa/premios-e-distincoes/premio-zeferino-vaz/2004/jocimar-daolio
Autor : Jocimar
Daolio Nasceu
em Bragança Paulista, em 1958. Graduou-se em Educação Física (USP, 1978) e
Psicologia (USP, 1983). É mestre em Educação Física (USP, 1992) e doutor em
Educação Física (Unicamp, 1997). É professor livre-docente ligado ao
Departamento de Educação Motora da Faculdade de Educação Física da Unicamp,
onde trabalha desde 1987. É docente das disciplinas Aspectos
Socio-Antropológicos da Motricidade Humana e Pedagogia do Movimento III, no
curso de Graduação, e Educação Física e Cultura , no curso de Pós-Graduação.
Foi Coordenador de Graduação da FEF no período de 1998 a 2000 e atualmente é
Coordenador da Comissão de Biblioteca. É autor de vários livros na área e
publicou vários artigos e capítulos em periódicos especializados e em
coletâneas. Atua na área de Educação Física Escolar.
Descrição da Obra: Da cultura e do corpo é uma obra voltada
para o público estudantil, mais precisamente da área de Educação Física,com
intuito de instruir e acrescentar o conhecimento acadêmico, com padrões cultos
e linguagem clara e objetiva, adaptada através de uma monografia feita pelo
próprio Jocimar .
Resenha do livro Da
cultura do corpo
“Da cultura do corpo”( Jocimar Daolio. Campinas: Papirus,
1995). Esta obra era a princípio uma dissertação de mestrado do próprio Jocimar
Daolio, defendida em dezembro de 1992 na Escola de Educação Física da USP. Por
apresentar um tema interessante e altamente discursivo, nos faz questionar e
refletir a respeito da atuação de professores de Educação Física nas escolas de
rede pública, enfoque principal citado pelo autor da obra. Aborda o estudo da
análise do corpo sendo determinado através da cultura, um corpo construído culturalmente
através de suas relações sociais considerando a sociedade em que se encontra,
tempo, espaço, a situação política, econômica, suas crenças e diversidade
cultural.
O livro é dividido em
quatro capítulos sendo o primeiro, “ 1- Antropologia: UM DESLOCAMENTO DO
OLHAR.”, que busca resgatar no contexto histórico as bases, o começo de todo
estudo voltado para a metodologia, que
deu suporte para construção da área da Educação Física. “A
Antropologia nos ensina a evitar qualquer tipo de preconceito, uma vez que todo
comportamento humano, por possuir uma dimensão pública, não pode ser julgado
por meio de conceitos implacáveis como bom/mau ou certo/errado... Essa
contribuição da Antropologia, por si só, é útil para qualquer área do
conhecimento e também para a Educação Física, que não tem o hábito de
considerar as diferenças existentes entre alunos e grupos de alunos de forma
não-preconceituosa”- (Da cultura do Corpo
– pág.30).
Apesar de parecer desinteressante e
monótono, o primeiro capítulo é de grande relevância para compreensão dos
capítulos subsequentes, pois, trata-se da explicação da originalidade deste
conteúdo abordado. O segundo capítulo, “ 2- A CONSTRUÇÃO CULTURAL DO CORPO
HUMANO”, mostra que o corpo humano é construído culturalmente, sua natureza não
se restringe somente ao nível biológico, mas também cultural, considerando
assim, que a natureza humana é fruto da relação entre natureza/cultura. As
ideias e pensamentos apresentados são usados como forma de fazer o leitor e
autor terem esse momento de discussão e reflexão a fim de entenderem o real
significado e reforçar a noção dos conhecimentos da área.
O terceiro capítulo, “ 3 - O TRABALHO
DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA. “, fala do começo dos estudos, onde o
assunto é colocado em discussão junto a opinião de profissionais da área . É
feito um levantamento de dados através de entrevistas com 10 homens e 10 mulheres, todos eram professores de Educação Física em atividade
para assim, poder entender o comportamento, a relação com os alunos, a forma
como as aulas eram ministradas, o ambiente e recursos que eram oferecidos aos
alunos. Foi desenvolvido também junto a 14° Delegacia de Ensino, um trabalho
onde 12 escolas foram escolhidas para ajudar na pesquisa quanto ao senso
relacionado ao local de trabalho. Logo, percebeu-se que havia diferença entra
escolas sendo consideradas “ de classe média ” ou “ de classe baixa “ pelo tipo
de construção e organização espacial. Das 12 escolas relacionadas, apenas uma,
que atendia a “classe baixa”, tinha uma
organização que poderia ser comparada com uma de “classe média”. Os professores
foram ouvidos e convidados a compartilhar suas histórias de vida, a relação com
a Educação Física desde criança e quanto a resposta e opinião deles a respeito
da definição de Educação Física. A maioria encontrou dificuldades para definir.
O quarto e último capítulo, “ DO CORPO
MATÉRIA-PRIMA AO CORPO CIDADÃO”, retrata as mudanças ocorridas ao longo do
tempo para o desenvolvimento do corpo humano tanto físico quanto intelectual ,
essa passagem retrata bem e resume o ponto principal deste capítulo: “O controle sobre o corpo faz-se necessário
para a existência da cultura, apesar de ser absolutamente variável entre as
sociedades e ao longo do tempo. Esse controle não se dá apenas por meio da
imposição de regras sobre os instintos naturais, mas também por meio da
construção da própria noção de corpo e de natureza, variável tanto de uma
sociedade para outra como de uma época para outra. Assim, o mesmo corpo que
torna os homens iguais e membros da mesma espécie também os torna diferentes, e
não há nisso qualquer paradoxo, porque a igualdade e a diferenciação são dois
aspectos de uma mesma questão. Na medida cm que a igualdade é tomada como
critério, é possível perceber a diferenciação e vice-versa “-(Da cultura do Corpo – pág.79;80).
Deixo como conclusão as seguintes perguntas que foram feitas em sala:
1-Qual será nossa contribuição para área, quando estivermos atuando como futuros profissionais e enquanto somos estudantes do curso de Ed. Física?
2- Vocês acreditam que da mesma forma que existem professores(as) que nos motivam , nos inspiram, também existem aqueles no qual não queremos nos espelhar?
3- A leitura desse livro apesar dele ser complexo, despertou ainda mais meu interesse pela área. De que forma a leitura do livro escolhido por você influenciou em sua vida ?
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Jogos Cooperativos Fábio Otuzi Brotto
Resenha da Obra: Jogos Cooperativos
Autor: Fábio Otuzi Brotto
Aluna: Lucimara Aparecida de Souza Andrade
Fabio Otuzi Brotto nasceu em Rio Claro (SP) , professor de
Educação Física , e depois cursou psicologia.
Em um mundo onde encontramos mais esportes
competitivos Brotto busca
ensinarmos o quão é fascinante o modo de
divertir uns com os outros , e não uns contra os outros.
O principal objetivo é o convívio, e a realização de planos em comum,onde é essencial saber respeitar os demais participantes,promovendo a ética e fazendo com que as pessoas que se acham inferiores , se tornem felizes com a integração no meio destes jogos cooperativos.
O principal objetivo é o convívio, e a realização de planos em comum,onde é essencial saber respeitar os demais participantes,promovendo a ética e fazendo com que as pessoas que se acham inferiores , se tornem felizes com a integração no meio destes jogos cooperativos.
Capitulo 1 : O JOGO NUMA
SOCIEDADE EM TRANSFORMAÇÃO
A ideia de aproximação entre
o jogo e a vida, o jogo pode ser visto com outros olhos, não somente como um
meio de competir mas como algo que pode unir pessoas. A importância do jogo
como elemento educacional,obtém desenvolvimentos de
linguagem,cognitivo,afetivo,físico-motor e moral .
O educador tem um papel
fundamental,onde ensinar novas brincadeiras com regras que nunca foram vistas,
desperta nas crianças o entender que todos somos importantes em todos as
brincadeiras. O poder de transformação do jogo e sua influência na
sociedade,aprender que solidariedade , é essencial numa sociedade competitiva.
Capitulo 2 : A CONSCIÊNCIA DA COOPERAÇÃO
A importância da cooperação
para desenvolvimento do ser humano,visando uma melhor qualidade de vida,em
diferentes dimensões como filosófica ,antropológica
,sociológica,psicológica,educacional,religiosa e biológica.
Cooperação e Competição se
compõe,no entanto dependem de muitos fatores,algumas perguntas sempre surgem ao
falar de COOPERAÇÃO, como : Jogar para que,se não vai existir vencedores?
É importante entender que competição e cooperação são valores humanos presentes nos jogos, no esporte e na Vida. A importância da cooperação no cotidiano pessoal, dotando como um estilo de vida.
É importante entender que competição e cooperação são valores humanos presentes nos jogos, no esporte e na Vida. A importância da cooperação no cotidiano pessoal, dotando como um estilo de vida.
Capitulo 3: JOGOS
COOPERATIVOS
O pensamento de George
Bernard Shaw :
“ Vemos as coisas como elas
são e perguntamos: Por que?
Sonho com coisas que nunca existiram e pergunto : Por que não?”
Sonho com coisas que nunca existiram e pergunto : Por que não?”
Os jogos cooperativos como
uma abordagem filosófico-pedagógica,que vem colaborando na Educação Física
Escolar e nas Ciências do Esporte e na Pedagogia do Esporte.
ORIGEM E EVOLUÇÃO
Surgiu com a preocupação do individualismo e a competição. Os jogos estimulam o confronto ao invés do encontro, foram criados com o intuito de promover através de brincadeiras,jogos , habilidades interpessoais positivas .
Surgiu com a preocupação do individualismo e a competição. Os jogos estimulam o confronto ao invés do encontro, foram criados com o intuito de promover através de brincadeiras,jogos , habilidades interpessoais positivas .
Os principais movimentos
surgiram na década de 50 no mundo ocidental.
Membros de comunidades
tribais se uniam para celebrar a vida, alguns povos ancestrais como no Alaska,Austrália,África ainda
praticam os jogos cooperativos para celebrar a vida. Como alguns índios com a
tradicional corrida de Toras dos Índios
Kanela no Brasil.
CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS
São jogos de compartilhar
unir pessoas e despertar a coragem para assumir risco como ,pouca preocupação
com o fracasso e sucesso em si mesmo.
Dessa forma os Jogos
Cooperativos resultam no envolvimento total, em sentimentos de aceitação e
vontade de continuar jogando; As crianças são mais livres para se
divertirem,dependendo da orientação,da intenção e das relações
estabelecidas nos jogos,
define-se o jogo é cooperativo ou competitivo.
A VISÃO DOS JOGOS
COOPERATIVOS
Melhorando habilidades de Relacionamento,
criamos condições de enfrentar os desafios de modo diferente com mais economia e
mais qualidade, sendo benéficos para todos, inclusive para as futuras gerações.
PRINCÍPIOS SÓCIO-EDUCATIVOS
DA COOPERAÇÃO
Através de princípios de Ação,
Reflexão e Transformação, praticarem os jogos cooperativos como proposta
Pedagógica é exercitar a cooperação na própria vida.
CAPITULO 4: A PEDAGOGIA DO ESPORTE
1- ESPORTE: UM FENÔMENO
HUMANO
O esporte esta presente em todos os tempos e lugares pelos quais temos existido pela publicação da UNESCO (1979) o esporte é direito de todos; A UNESCO promoveu valores éticos como o fair-play entre outros.
O esporte esta presente em todos os tempos e lugares pelos quais temos existido pela publicação da UNESCO (1979) o esporte é direito de todos; A UNESCO promoveu valores éticos como o fair-play entre outros.
O esporte pode assumir características
distintas:
-esporte-rendimento
-esporte como conteúdo da
Educação Física
Sendo que a palavra esporte pode expressar quatro significados: --um fenômeno social
Sendo que a palavra esporte pode expressar quatro significados: --um fenômeno social
-uma profissão
-um curso de preparação
profissional
-uma área de conhecimento
2 – A PEDAGOGIA DO ESPORTE
É uma linha de pesquisa e
aplicação das ciências do esporte e visa
estudar e difundir princípios
sócio-educativos,para favorecer o processo de ensino e aprendizagem do Esporte.
Brotto fala da importância do esporte para a humanidade como disciplina de Educação Física
. Usando o esporte como meio de
educação, ensina os professores os
diferentes modos de cooperativos
, as regras e o principal objetivo a cooperação .
CAPITULO 5 : O JOGO E O ESPORTE COMO UM EXERCÍCIO DE CONVIVÊNCIA
Brotto destaca as possibilidades do Jogo e do
Esporte,perspectivados pelos jogos cooperativos, como um exercício de
convivência. Os jogos cooperativos pode ajudar a nos orientar durante a
movimentada e acelerada transição que já vivemos .
1-CONVIVÊNCIA : UM JOGO DE INTERDEPENDÊNCIA
Toda existência é uma coexistência , a qualidade de realizações , está ligada a qualidade das inter-relações .
Toda existência é uma coexistência , a qualidade de realizações , está ligada a qualidade das inter-relações .
2 – O (IM)POSSÍVEL MUNDO ONDE TODOS PODEM VEN SER
Deixou de ser uma alternativa
, uma novidade uma tendência uma utopia, e constitui-se em uma necessidade de novos tempos de maior complexidade.
Ao término Brotto evidencia que para que sejamos melhores, dependemos somente de nós mesmo,tão mais prazeroso a integração do que a competição .
Ao término Brotto evidencia que para que sejamos melhores, dependemos somente de nós mesmo,tão mais prazeroso a integração do que a competição .
Brotto ressalta as contribuições que a proposta dos Jogos Cooperativos vem oferecendo para o campo das Ciências do Esporte,focalizando Princípios Sócio-Educativos de Cooperação
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Resenha Crítica Lazer e Humanização
NELSON CARVALHO MARCELLINO
RESENHA CRÍTICA DA OBRA
LAZER E HUMANIZAÇÃO
ANA
CLÁUDIA VASCONCELOS DA COSTA
FABIANA
DE PAULA PEREIRA
LAVRAS
2016
2016
Esta resenha trata-se do livro “Lazer e Humanização”, de autoria de
Nelson Carvalho Marcellino, com edição feita em Campinas, São Paulo, no ano de
1995 pela editora Papirus. O livro contém 83 páginas.
Nelson é brasileiro, natural
de Campinas, São Paulo. Sua formação acadêmica é sociólogo, licenciado em
ciências sociais, mestre em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade
Católica de Campinas e doutor em Educação pela Unicamp. Atualmente é professor
do departamento de estudos do lazer há 20 anos, participando da implantação de
projetos nessa área em várias cidades do estado de São Paulo. Nelson Carvalho
também escreveu outras obras, como: Pedagogia da animação(1990), Introdução às
ciências sociais(1994) e Lazer e educação(1995).
O livro em questão, Lazer e Humanização, possui uma grande utilidade, pois demonstra ao público destinado a importância do lazer no meio social. Serve para conscientizar pessoas que horas de descanso/ócio é necessário em um país onde o trabalho se torna cada vez mais explorador. É útil também para nos causar uma reflexão sobre as relações que o lazer obtém , quando exposto a diversos fatores da nossa sociedade, como, por exemplo, os espaços que devem ser estruturados para prática do lazer. Também fundamenta que haja uma preparação de atividades destinadas a cada faixa etária e que as responsabilidades estejam sempre presentes, para que o ócio não torne uma atividade de má índole e sim uma forma de crescimento para a criança, o jovem e o adulto. O autor se situa frente suas reflexões e de outros autores que as necessidades e valores do lazer são alterados conforme os contextos históricos e sociais.
O livro em questão, Lazer e Humanização, possui uma grande utilidade, pois demonstra ao público destinado a importância do lazer no meio social. Serve para conscientizar pessoas que horas de descanso/ócio é necessário em um país onde o trabalho se torna cada vez mais explorador. É útil também para nos causar uma reflexão sobre as relações que o lazer obtém , quando exposto a diversos fatores da nossa sociedade, como, por exemplo, os espaços que devem ser estruturados para prática do lazer. Também fundamenta que haja uma preparação de atividades destinadas a cada faixa etária e que as responsabilidades estejam sempre presentes, para que o ócio não torne uma atividade de má índole e sim uma forma de crescimento para a criança, o jovem e o adulto. O autor se situa frente suas reflexões e de outros autores que as necessidades e valores do lazer são alterados conforme os contextos históricos e sociais.
Nelson Carvalho Marcelino, o
estudioso do tema, relata que existem atualmente, duas correntes de pensamento
adversas sobre a vivência do lazer. A primeira é vista como mercadoria, ou
seja, o lazer é algo consumido e tem finalidade de contribuir positivamente de
modo que as pessoas suportem o tipo de vida que levam na sociedade. A segunda
corrente de pensamento projeta o lazer como prática social que pode esta por
sua vez questionar os valores dominantes no modelo em que vive a sociedade.
Em alguns capítulos o autor
coloca suas conclusões tiradas a respeito do lazer, colocando opiniões próprias
e fazendo diversas reflexões bem distribuídas ao decorrer do livro. “Considero
a Revolução Cultural do Lazer uma utopia. E por isso coloco seus valores em
termos de esperança” (Nelson Carvalho Marcellino, p. 16), denota o autor em uma
de suas conclusões. Posteriormente, ele chega a dizer que “Não se pode concluir
que a prática ou a necessidade do lazer são fenômenos recentes, tendo em vista
as características da sociedade brasileira, e pode verificar-se a ruptura entre
a vida como um todo e o lazer, fazendo com que este adquira significação
própria” (Nelson Carvalho Marcellino, p. 20). E por fim, o autor sintetiza que
“Entre os estudiosos do lazer não há ainda um acordo na forma de entendê-lo,
sendo que podemos distinguir pelo menos duas grandes linhas: a que se
fundamenta na variável atitude e considera o lazer como um estilo de vida,
portanto independente de um tempo determinado; e a que supõe esse tempo,
situando-o como um tempo liberado do trabalho ou como um tempo livre, também de
outras obrigações, familiares, sociais, políticas e religiosas, enfatizando a
qualidade das ocupações desenvolvidas”.
É
uma escrita simples, objetiva e de fácil entendimento, possui bastante clareza
e reflexões concretas. O livro se destina a qualquer tipo de público que se
interesse pelo assunto tratado, seja crianças, jovens ou adultos e estudantes
em geral, pois possui fácil entendimento para leitura.
No
primeiro capítulo “Por uma sobrevivência mais humana” Dumazedier atribui
valores ao prazer embasado a um novo estilo de vida, sendo atribuída a uma
revolução cultural do lazer, iniciada por um movimento social integrado com
elementos dos grupos de trabalho que visam à necessidade de mudança. O lazer é
visto como elemento de reforço e não de reação ao homem contemporâneo. O lazer
não seria nem mesmo uma concessão, mais sim uma necessidade do sistema
econômico, onde o mesmo precisa para seu funcionamento, componentes em tempo para
consumir o que é produzido. Godbey afirma que o aumento do antilazer – atividade
compulsiva e feita por necessidade- vem sendo maior que o ato de lazer. Devido
ao progresso tecnológico que nos permitiu maior produtividade em menos tempo de
trabalho, o lazer torna se resultado desta situação, ainda que o único
interesse seria o descanso (recuperação da força de trabalho).
Nesse novo tempo emergem situações de lazer geradoras da chamada Revolução
Cultural do Lazer, que são atividades que visam mais prazer. Segundo o autor a
revolução cultural do lazer não constitui um movimento organizado com objetivos
definidos e comando próprio, é um processo gerado historicamente do qual saem
novos valores. O lazer merece atenção e tratamento, pois legitima – se há
possibilidades e riscos sendo este uma questão de sobrevivência humana.
No
segundo capítulo, “Uma palavra e muitos significados” não existe um consenso
sobre o que seja o lazer entre os estudiosos do assunto, ou entre outros que
atuam na área, e muito menos no meio da população em geral. De fato trata-se de
um termo que carrega consigo preferências e juízos de valor. Contudo a
utilização crescente da palavra “lazer” por amplos setores da população não se
restringe a construções ou espaços. Seu uso em nome fica assim restrito a
atividades especificas ou a juízos de valor a ela associados como os mais
frequentes “divertimento” e “descanso”, quanto também associado ao ócio. As críticas
ao lazer são dirigidas também pelos marxistas, muito embora os pensadores dessa
linha estejam divididos em duas correntes, uma que privilegia o trabalho e outra
o tempo fora do trabalho. Entre os estudiosos do lazer ainda não há ainda um
acordo na forma de entendê-lo. Existem duas linhas de pensamentos, a que
considera o lazer como um estilo de vida, independendo de um tempo determinado
e a que supõe esse tempo como “tempo liberado” ou o “tempo livre” não só do
trabalho como de outras obrigações. Para o sociólogo Dumazedier, o lazer é um
conjunto de ocupações as quais o indivíduo pode entregar se de livre vontade,
seja para repousar, divertir, recrear e entreter ou até mesmo após as
obrigações profissionais ou sociais. Em suma, com o entendimento de diversos
autores o lazer pode ser visto como o descanso tanto físico como mental, o
divertimento e a sociabilidade. E que também distinguem lazer de ócio
entendendo-o como ocupação. Tendo em vista a difusão dos valores do lazer é
fundamental que a visão constatada ao nível do senso comum seja corrigida e
ampliada.
No terceiro capítulo, “Uma questão de desenvolvimento” as
resistências aos valores de lazer observados na moral tradicional, quando
analisamos nossa condição de subdesenvolvimento com políticas efetivas, têm
seus obstáculos impostos pelo lazer em questão de desenvolvimento. Assim
conseguimos destacar duas vertentes de pensamento no Brasil, uma que concebe o
lazer como algo a ser considerado apenas para as camadas sociais e a outra
vertente que defende o estabelecimento de prioridades para o desenvolvimento,
com recursos em áreas básicas que possibilite o crescimento econômico. Ou seja,
não seria justo o estabelecimento de programas em uma área que prevalece apenas
uma minoria, diferenciando crescimento econômico de desenvolvimento, coloca aquela
como base para a eleição das prioridades de ação, respectivamente. Toda nossa
história vem mostrar que o tempo de lazer veio com conquistas crescentes
através da classe operária. E atualmente somos considerados o país de maior
tempo livre e comparados ao livro de Macunaíma. Devemos levar em consideração
que as oportunidades para o lazer mantêm um caráter de divisão de classe
marcante. E que para se estabelecer políticas de lazer efetivas deve se aceitar
os valores do lazer e seu significado para a realização do projeto humano. Se a
ocupação e distribuição do tempo de lazer estão em contradição com a lógica da
sociedade capitalista, implica em não considerá-lo como um produto ou serviço a
ser consumido, levando se em consideração a dependência de sermos um país
subdesenvolvido em relação aos desenvolvidos.
No quarto capítulo, “Em Busca do Equilíbrio” é possível
manter relações nas diversas práticas e interesses do lazer. Tendo em vista o
conteúdo das atividades, o ideal seria a ação de cada pessoa, em seu tempo e
dentro dos cinco grupos de interesses (corpo, imaginação, raciocínio,
habilidade manual e relacionamento social). Pois o que se percebe geralmente é
que as pessoas se restringem em suas atividades de lazer por falta de contato
com outros conteúdos. O valor cultural de uma atividade está relacionado ao
nível alcançado pelo praticante ou pelo espectador. Equilíbrio tende a ser uma
palavra chave quando falamos em lazer em termos de qualidade, levando em conta
vários interesses, de modo que vise melhorias na democratização cultural.
No quinto capítulo, “O Todo Inibidor” apesar de todos os
problemas socioeconômicos que a sociedade vem enfrentando as atividades de
lazer apresenta se presente cada vez mais na vida das pessoas pelo próprio meio
de comunicação em massa. A questão econômica é determinante até mesmo na
disponibilidade de tempo livre entre as classes sociais. Tanto em relação à
educação como meio de superação dos níveis de desenvolvimento das atividades de
lazer é preciso levar em conta o fato que as mulheres hoje em dia têm, como
acesso escolar, implicando no atraso cultural e aumentando as diferenças de
apropriação do lazer quanto ao sexo. Sem contar que as crianças se indispõem de
maior tempo de lazer que deveriam ter. Vencer as barreiras culturais e sociais
que impedem a prática crítica e criativa do lazer em uma elite capitalista,
juntando esforços, é possível abrir caminhos conscientes desses valores em
razão de uma justiça social, democratizando-os.
No sexto capítulo, “A Democratização do Espaço”
democratizar o lazer implica em democratizar o espaço, ou seja, levando em
consideração a vida da maioria das pessoas, devemos entender que o espaço para
o lazer é o espaço urbano, onde este torna se um local de crescimento
econômico. Em consequência da urbanização é preciso tomar nota que diversas
pessoas tomam grande parte do tempo para se locomover para o trabalho, sem
contar que o aumento desta gera falta de espaço para o lazer, principalmente
nas grandes cidades. Desconsideramos o lar como local especifico de lazer, pois
não são construídos para esta função. A ação democratizadora precisa abranger além
da construção de novos equipamentos em locais adequados, a mentalidade da
população na defesa do patrimônio cultural que servirá para a prática
democrática do lazer.
E por fim, no sétimo capítulo “Ação cultural e Democratização”
tempo e espaço disponível é o necessário e às vezes não o suficiente para o
aproveitamento do lazer. O lazer tem em seu entendimento uma ambiguidade, tanto
porque pode contribuir para o desenvolvimento de atitudes críticas e criativas
nas esferas pessoais e sociais como também pode acentuar o conformismo, levando
a processos de acomodação. O lazer em si também carrega possibilidades de
valores destrutivos, uma vez que, para os críticos do lazer o “lazer
patológico” (atividades desenvolvidas no tempo livre) pode atribuir
preconceitos em cima dos valores humanos. De qualquer forma, essas atitudes sejam
destrutivas ou não precisam abarcar indicadores de mudança, que além das
funções de descanso atenda as necessidades de desenvolvimento cultural.
Contribuir com atividades e medidas que visem à valorização do lazer
facilitando a participação popular são talvez condições para o elemento de
humanização de modo à efetiva- la, sendo esta um modo de acomodação ou mudança
ou um fator de humanização ou de simples bem de consumo.
Referências Bibliográficas
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=138&doc=10354&mid=2,
acesso 29/01/2016
MARCELLINO,
Nelson Carvalho. Lazer e Humanização.
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