quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Resenha do livro "O corpo parceiro e o corpo adversário"




Resenha do Livro
O CORPO PARCEIRO E O CORPO ADVERSÁRIO


Alunos:
GUSTAVO LEONE FACION

JULIANO P. PEREIRA CARDOSO





REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Bruhns, Heloísa T.
O corpo parceiro e o corpo adversário
Campinas-SP: Editora Papirus, 1993.
-116 páginas.




CREDENCIAS DO AUTOR:
Heloísa Turini Bruhns, nascida em Ribeirão Preto-SP, 1951, é economista formada pela Universidade Estadual de Campinas (1974), graduação em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1980), mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1989) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1992).
Atualmente é Professor Titular da Universidade Estadual de Campinas atuando como colaboradora no programa de pós-graduação em Geografia do Instituto de Geociências - IG da Unicamp. Realizou estágio de pós-doutorado no Theory, Culture and Society na Nottingham Trent University - Nottingham, UK durante o ano de 2007.
Tem experiência na área de Ecoturismo, Cultura e Natureza, Lazer e Meio Ambiente. Possui 14 livros publicados: autoria individual (3), organização individual de coletâneas (4) e organização conjunta de coletâneas (7).
 (Fonte: Currículo Lattes)




RESENHA:

      Inicialmente, o livro O corpo parceiro e o corpo adversário nos conduz a uma reflexão sobre o corpo do homem em relação com a cultura e com a história da sociedade industrial, apresentando alternativas que nos levam a auto valorização.
Heloísa Turini Bruhns relata nesta obra que procurar a essência da atividade lúdica é tentar redimensionar um fenômeno muito além do simples fato de diversão e entretenimento, e sim tentar descobrir sua dimensão humana sem esquecer a integração do homem com o meio que se habita.
Lúdico é um adjetivo masculino com origem no latim
ludos que remete para jogos e divertimento.
Uma atividade lúdica é uma atividade de entretenimento, que dá prazer e diverte as pessoas envolvidas. O conceito de atividades lúdicas está relacionado com o ludismo, ou seja, atividade relacionadas com jogos e com o ato de brincar.

Os conteúdos lúdicos essenciais na aprendizagem. Isto porque é muito importante incutir nas crianças a noção que aprender pode ser divertido. As iniciativas lúdicas nas escolas potenciam a criatividade, e contribuem para o desenvolvimento intelectual dos alunos.
Outra parte importante citada pela autora é quando se referia a fase sensório motora da criança que é quando a criança aprende a agarrar, se movimentar, a diferenciação de si do objeto.
Essa fase acontece de 0 a 2 anos de idade!
Brunhs também relata as diferenças entre jogo e esporte, ressaltando o jogo em diversas situações e mostrando as influências que o mesmo contribui a humanidade. Dando ênfase na relação homem-trabalho, a autora enfatiza que o envolvimento com o jogo leva ao engrandecimento do indivíduo e da sociedade.
Bruhns cita ainda a existência de uma relação estreita do jogo com a cultura, onde o mesmo tem a função de impulsor cultural, muitas vezes capaz de desvendar a origem e os costumes de um povo ou de sua história.
Para Bruhns, em um processo dinâmico o homem se relaciona com a arte, esta que é um componente lúdico na identificação da personalidade do mesmo; que a linguagem influencia na transformação da cultura, através de símbolos como o rito, o mito e o artístico e que a ciência favorece na criação de alternativas criativas.

Essas idéias podem ser compreendidas no seguinte trecho retirado do livro:
       "O conhecimento provém de uma interação entre sujeito e objeto que implica modificações e transformações. O jogo como fator de relacionamento entre as fantasias inconscientes e o mundo externo proporcionará a formação da base do aprendizado e do conhecimento."
     Por fim a autora menciona a modificação sofrida pelo homem com a evolução da humanidade. Descreve a transformação do corpo em máquinas que trabalham tentando acompanhar o avanço tecnológico da industrialização, avanço este que faz com que o homem tenha um corpo robótico com movimentos mecanizados até nas suas horas livres fora da expediente de trabalho.



CONCLUSÕES:
   O livro “O CORPO PARCEIRO E O CORPO ADVERSÁRIO” foi produzido a atingir um público alvo de professores, alunos e leitores que se interessam pela área de Educação Física - Motricidade (estudo dos movimentos).
   A leitura do mesmo nos permitiu compreender e refletir sobre o esporte profissional num processo histórico, devido à autora ter trabalhado sobre a temática parceiro/adversário que sugere a uma reflexão sobre o corpo do homem na sua relação com a cultura e com a história da sociedade industrial. Além de nos mostrar a importância da atividade lúdica que hoje em dia pouco se pratica.
   Isso também foi possível pelo auxílio que obtivemos no acesso á resenha produzida por Ângela Floriano, de São Paulo, disponibilizada no site Recanto das Letras.  

PARA DISCUTIR SOBRE O TEMA

Diante da necessidade de associarmos atividades lúdicas no nosso dia-a-dia, pela sua importância para nosso desenvolvimento social, cultural, entre outros. E ciente que os dias aparentam-se cada vez mais curtos por tantos deveres e obrigações, cite-nos situações oportunas em que poderíamos inserir tais atividades.

Sociedade Sarada
Em 2006 o Doutor Alex Branco Fraga publicou o livro Exercício da Informação – governo dos corpos no mercada da vida ativa de 185 páginas pela editora Autores Associados baseado em sua tese de doutorado, ele é licenciado em educação física pelo IPA, mestre e doutor em educação pela UFPR e também escreveu o livro titulado de Corpo, entre outros.
Nos quatro capítulos que integram a obra o autor começa falando sobre suas experiências, ao tentar resolver um exercício sobre “Desconstrução Textual” recorreu a internet, onde encontrou um material relacionado a Vida Ativa X Sedentarismo. Assunto que já o havia interessado desde o inicio do doutorado.
O que mais lhe chamou a atenção foi o texto do Agita São Paulo, que era uma propaganda que promovia a atividade física em situações normais do dia-a-dia, como subir escadas, ir para o trabalho a pé, varrer e limpar a casa, etc.
Segundo Matiello Junior e Gonçalves, citados no livro, um dos problemas é que poucos atendem a essas campanhas e os que atendem, menos ainda levam adiante. Já Francisco Marchi Netto e Ferdinand Persijn, depois de participarem de uma oficina do Agita, publicaram um artigo criticando os princípios do programa e afirmavam que seria um absurdo destinar a verba da saúde para algo que consideravam inócuo (que não causa danos); suspeitavam dos benefícios fisiológicos atribuídos aos 30 minutos de atividades físicas.
Contudo o autor percebe que o programa não estava diretamente ligado a prática de atividades físicas, e sim ao aumento da circulação da mensagem nos meios de comunicação e ao aumento do conhecimento geral de sua existência.
É a partir do sedentarismo que o estilo de vida ativa ganha relevo e com isso a promoção da atividade física ganha terreno nas políticas de saúde pública. Gastos com o tratamento médico servem de justificativa para o investimento em programas de promoção de atividade física.
Mesmo sabendo dos prejuízos, nós continuamos nos tornando cada vez mais sedentários e vários são os fatores para não exercer os nossos exercícios: arquitetura urbana desfavorável, falta de tempo, falta de segurança. Condições climáticas desfavoráveis, tecnologias da comodidade que facilitam a vida, etc.
O Agita São Paulo começou informando para depois incrementar o programa no meio social. O marketing se tornou uma das grandes ferramentas de intervenção na promoção da saúde contemporânea, exigiu do especialista em atividade física a incorporação de novos conhecimentos e habilidades para que pudesse avançar seus domínios sobre o território aparentemente aberto da mídia. Estar na mídia é de certa forma estar em “todos os lugares de uma só vez”.
Não basta apenas “demonizar” o sedentarismo, é preciso também investir pesadamente contra aquelas crenças que expressam e sustentam conceitos, imagens e ideias arraigadas à “velha” cultura corporal. Técnicas como o Tai Chi Chuan na China e a Ioga na Índia são exemplos de práticas consideradas capazes de trazer efeitos fisiológicos benéficos à saúde. Henry Solomom afirmou que exercícios aeróbicos podem apontar fragilidades cardiovasculares e ainda poderiam ampliá-las.
O texto é voltado para pessoas que veem a necessidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas, porém em minha opinião, para que isso ocorra, não são apenas 30 minutos que vão fazer a diferença e sim treino pesado, boa alimentação e horas de sono de qualidade, além de investimento forte das empresas fitness, que se compare aos anúncios de produtos industrializados, pois a mídia sim influencia a cabeça das pessoas.



Pedro Turon de Oliveira 

Resenha crítica da obra literária "A Janela de Vidro - Esporte, Televisão e Educação Física".

Aluna: Sarah Campos Reis Vieira 

 BETTI, Mauro. A janela de vidro: Esporte, televisão & educação física.Campinas – SP. Editora: Papirus, 1998. 159 págs.

O autor do livro explica por meio da hermenêutica, uma teoria de interpretação, explicar qual é a associação entre o esporte e a mídia.
  No primeiro capítulo Mauro Betti, esclarece um pouco a respeito da Educação Física, educação e do esporte.  A Educação Física é reconhecida como um conceito contemporâneo, uma ação pedagógica construída a partir de uma determinada cultura.  A educação é definida como aprendizagem da cultura, em relação ao processo de valoração e sentidos. Segundo Georges Belbenoit, pedagogo francês, o esporte é a forma mais rica e adaptada ao nosso tempo, que nos permite construir uma ética de saúde global. O esporte é uma atividade de cultura e um instrumento para libertação do homem na medida em que desempenha a função biológica.
  No segundo capítulo o autor argumenta sobre o esporte e a mídia. Conta como o esporte se transformou em um espetáculo com fins consumista, sendo papel importante para principalmente a televisão.  Desde modo a televisão apresenta uma realidade alienante, influenciando as escolhas, os interesses da sociedade, impedindo a formação de indivíduos autônomos com capacidade de julgamentos e decisões conscientes, além de prejudicar o desenvolvimento da personalidade.
  No capítulo “esporte em close”, são apresentados alguns fragmentos, como a falação, cotidiano, ao vivo, nostalgia, adrenalina, esporte global, o anuncio publicitário, veja de novo e espetacular, elementos que fazem parte da televisão em conjunto com o esporte.
  No último capítulo, trata de sofisticar a compreensão apoiados nas teorias sobre o esporte. O autor então busca sentidos através de teorias (teorias do jogo, teorias marxistas, teoria do processo civilizador, teorias culturalistas) que permitam a interpretação critica do discurso televisivo sobre o esporte, definindo os limites do fenômeno Esporte-Telespetáculo.  Portanto o autor percebe as limitações das teorias explicativas a respeito do esporte e também o seu caráter de inter-relação e complementaridade. Chegando a conclusão de que cada teoria oferece uma perspectiva original, e na busca de uma explicação global, acabam remetendo umas as outras.
  Com as informações obtidas após a leitura do livro, fica clara a maneira que a mídia representa para o esporte. Sem duvidas a televisão entre outros exemplos midiáticos conseguiu aproximar a sociedade ainda mais ao esporte, despertando assim sua influencia. Com seus pontos positivos como de transmitir informações, seja ela ao vivo ou de forma nostálgica, apresentar para todos os indivíduos vários tipos de cultura e costumes, acompanhar de perto mesmo estando longe das principais partidas de jogos, proporcionando assim entretenimento a todos. Mas além desses pontos positivos existem muitos pontos negativos como a forma que a mídia influencia a vida de seus telespectadores, impedindo a formação autônoma, com decisões inconscientes, e falta de personalidade própria. A mídia usa de seus artifícios visando lucros e propagando o consumismo e a imposição de valores ideológicos e culturais. Submetendo a sociedade assim a tudo que a TV as conduz.

  O livro com leitura de fácil entendimento é recomendado e dirigido para grande público, seja estudantes, especialistas, porém em especial, aos educadores físicos, que convivem de perto e em todo seu cotidiano com o assunto proposto, os ajudando em sua formação e na realização de seus trabalhos. 

Resenha Crítica da Obra Literária "Corpo, Ciência e Mercado: reflexões acerca da gestação de um novo arquétipo da felicidade".

Aluna: Lara Coelho Fonseca   Turma – 29A (Bacharelado em Educação Física)


SILVA, Ana Márcia. Corpo, ciência e mercado: reflexões acerca da gestação de um novo arquétipo da felicidade. Florianópolis: UFSC/Autores Associados, 2001. 144p.


Essa obra literária faz parte da Coleção Educação Física e Esportes, que exibe um tema que busca discutir aspectos sociais e filosóficos do corpo humano. Além da Introdução, estrutura-se em três capítulos. São 144 páginas em que a autora considera a interconexão entre a Cultura e a Natureza, tendo como foco a reflexão do corpo, capaz de renortear o eixo civilizatório.
Ana Márcia Silva, professora do departamento de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, é mestre em Educação e doutora em Ciências Humanas – Sociedade/Meio Ambiente. Como pesquisadora, sua atuação volta-se às temáticas relacionadas à corporeidade, epistemologia e ecologia.
O título da obra “Corpo, ciência e mercado” juntamente com a ilustração da capa, sugere que serão apresentadas questões acerca da beleza e do culto ao corpo. Porém, a autora aprofunda a discussão, analisando autores de diferentes áreas e suas abordagens, para mostrar as raízes históricas das expectativas corporais pregadas atualmente. Dessa forma, denunciando a supremacia da tecnociência e do capitalismo sobre a cultura corporal.
O prefácio é feito por  Carmen Lúcia Soares confirmando o trabalho polêmico feito por Ana Márcia, ao lidar com as diferentes questões centradas no corpo, pensado como máquina química. Gera-se desconforto e evidencia-se  a fragilidade das “doutrinas” que geram modismos.
O tema vai sendo desenvolvido à medida que a aurora trabalha seus argumentos de forma confiante e sensível, buscando situar a visão do corpo humano desde a mitologia, estabelecendo paralelos com a Modernidade onde a tecnologia e a ciência permitem maior conhecimento e manipulação da natureza. Como exemplo dessa manipulação, o uso antético de animais para testes, na criação de medicamentos e diversos produtos que serão destinados aos seres humanos. Observa-se, que antes, o corpo era considerado sagrado, não devendo ser tocado e privado de todo tipo de prazer, hoje, é disposto a diversas análise anatômicas, profundas e minuciosas, com diversas finalidades.
A crescente insatisfação com o corpo, oriundas das expectativas colocadas pela sociedade, leva em muitos casos à medidas drásticas como intervenções médicas, dietas, ingestão de medicamentos, e muitas outras. O desenvolvimento da genética, por exemplo, em busca de obter a “saúde perfeita” e a eternização da juventude, passa a oferecer oportunidades de alterações corporais em um patamar surpreendente, mas perigoso.
Altera-se, então, os conceitos de saúde, em que afastam as possibilidades da doença e da morte como se estas não fizessem parte da vida, da natureza. Essas manipulações afetam o imaginário social, que deixa de refletir sobre as consequências danosas de todas estas interferências. Assim, ocorre a desconexão do indivíduo com a sua totalidade e racionalidade, aceitando facilmente os dualismo impostos pela sociedade. Nesse contexto, deixam de perceber a contrastante realidade em que vivem, onde uma minoria vive fundamentados no culto do corpo e sua natureza narcisista, enquanto grande parte da humanidade convive cotidianamente com os flagelos da fome e doenças.
No decorrer da leitura a impressão é a de que se irá embrenhar pelo caminho do antiprogresso. Ao invés da surpresa, o estarrecimento e questionamento: até que ponto esses avanços significam progresso? Chega-se então a um dos maiores paradoxos da atualidade, onde todos poderiam estar usufruindo das promessas da modernidade e avanços da ciência. Porém, é visível que a maior parte dela não tem acesso a esses recursos, nem mesmo a condições básicas para uma vida digna. Nesse meio, há também o desenvolvimento do sectarismo, comportamentos baseados em preconceito de raça, credo, pátria, gênero, códigos de honra e valores. Também, o aumento dos comportamentos de ansiedade e frustação se tornando corriqueiros atendimentos psiquiátricos e psicológicos.
No último capítulo, a autora propõe uma revisão e transformação dos conceitos que regem o atual eixo civilizatório. Proposta que não implica interromper  os movimentos nas áreas cientificas, mas buscar a ética e a reflexão crítica como necessárias para a transformação, emancipação e autonomia dos indivíduos e da sociedade. Ela aponta para uma perspectiva de corpo ligada visceralmente à ecologia; uma relação mais ampla e profunda entre seres humanos e natureza, sendo o amor a chave apontada pela autora capaz de transformar. Em outras palavras, deixar o amor vulgar que cultua o corpo e praticar o amor que vai muito além das aparências, valorizando a virtude e a sabedoria. É este amor que resgatará a totalidade do homem e salvará a humanidade. A autora se direciona para esse desfecho, que abre novo portal de esperança de uma sociedade emancipada, pautada pela ética e pela reflexão crítica, permeadas pela liberdade e amor entre os seres humanos.
Por fim, considerando os temas e discussões propostas por Ana Márcia Silva, podemos perceber o quão importante se torna o conhecimento e o estudo dessa obra, não somente sendo recomendada a universitários relacionados a essa área de estudos, mas também ao grande público, pois através dessa leitura, extraímos ideias que contribuem para nos tornar críticos e reflexivos em relação à sociedade que nos cerca. Dessa forma, compreendendo  as fontes dos problemas atuais, poderemos melhorar o modo como vivemos e nos relacionamos, com o próximo e com a natureza, garantindo um futuro que seja mais saudável e próspero para todos.
Embora a autora utilize uma linguagem mais complexa, em suas discussões ela busca situar o leitor em uma linha do tempo, onde cita os fatos e tenta explica-los colocando diversas perspectivas. Todavia, hoje têm-se diversos recursos que poderão auxiliar na compreensão do texto. Dada a publicação dessa obra no ano de 2001, podemos reconhecer que as problemáticas discutidas naquele ano continuam sendo as mesma da nossa realidade em 2016, assim, confirmando a importância dessa obra e sua função de contribuir para que nos atentemos às mudanças necessárias em nossa sociedade.

Questões para Discussão: 

1- Até que ponto nossos avanços em sociedade podem realmente significar "progresso"?

2- A prática de dietas e o uso de medicamentos tem sido cada vez mais incentivados, passando a falsa ideia de saúde. Essas práticas são realmente necessárias? Se sim, para que fins?

3- Há uma certa contradição entre o que é divulgado pela mídia: uma prega o culto do "corpo perfeito" e a outra incentiva o uso de produtos industrializados, um objetivo não saudável. Qual delas é a certa? É possível estabelecer um meio termo entre elas?

4- As mídias tem exercício cada vez mais influência sobre as pessoas, sendo assim, também seria possível usá-las para transmitir ideais realmente saudáveis e ecológicas?

5- De que forma poderíamos acabar com a soberania das mídias, do mercado, do capitalismo, e outros, que impõe os padrões que devemos seguir?





domingo, 14 de fevereiro de 2016

Por : LAIS MENDES TAVARES

“Lazer e educação” (Papirus Editora, 1988, 164 páginas), do sociólogo, natural em Campinas (SP) licenciado em Ciências Sociais, mestre em filosofia da educação pela PUC-CAMPINAS, doutor em educação pela UNICAMP, coordenador do núcleo do centro de desenvolvimento do esporte recreativo e do lazer, do ministério do esporte, líder do GPL(grupo de pesquisa do lazer) pela universidade metodista de Piracicaba-UNIMEP e pesquisador do CNPq, Nelson Carvalho Marcelino. Tem várias obras publicadas, entre elas as que mais se destaca são: Introdução ás ciências sócias; lazer: Formação e atuação profissional; Lazer & empresa: Múltiplos olhares e repertórios de atividades de recreação e lazer, Estudos do lazer: Uma introdução e políticas públicas setoriais de lazer: O papel das prefeituras.
O livro foi originado de uma dissertação de mestrado, na área de filosofia da educação e por se tratar de varias analises o autor traz com o livro vários pesquisadores da área, alguns nacionais outros internacionais (alguns nem conhecidos no meio acadêmico) Com isso podemos encontrar algumas dificuldades na separação dos pensamentos dos pesquisadores e do autor, entretanto não chega a ser um problema, pois podemos entender que a intenção do autor e fazer com que tiramos nossa própria reflexão sobre o tema e apesar de se tratar de um tema que sempre foi e ate hoje é considerado como supérfluo o autor conseguiu mostrar varias concepções importantes sobre o papel lazer quando se considerado a educação. O objetivo principal do livro e analisar minunciosamente o lazer, a escola e o processo educativo.
Foi separado por quatro capítulos, e nesses capítulos divididos em tópicos oque facilitou o entendimento.
No primeiro capitulo tem por objetivo analisar todas as formas de lazer e educação e o entendimento do lazer pelos teóricos da educação, no entanto conseguimos perceber a dificuldade ate mesmo com varias analises, de chegar a definição do lazer. O lazer tem várias formas de ser analisados, nessa obra temos uma analise mais filosófica. As atividades artísticas e as práticas físicas são exemplo de lazer de forma cultural indireta, e temos o lazer de forma indireta de obrigação, exemplo o trabalho escolar e as relações familiares. O Lazer está ligado a sentir prazer, em diversão, como pode uma atividade escolar ser uma prática de lazer? Quando realizamos um trabalho fora do nosso ambiente escolar, por exemplo, é uma atividade obrigatória, porém conseguimos gozar de felicidade e pode ser uma atividade de entretenimento. O trabalho é uma atividade inevitável, pois precisamos trabalhar para usufruir do lazer, porém segundo Pawe Goodman começar a trabalhar pensando no seu tempo fora do trabalho, no que vai fazer quando receber, além de não salvar seu trabalho vai ajudar a ter uma experiência infeliz em relação ao lazer, pois só ele não tem essa capacidade, por isso não devemos procurar o trabalho já pensando no final do expediente, nos finais de semana nas férias, devemos procurar no trabalho as qualidades que encontramos no lazer. Outro aspecto que foi analisado também foi a diferença de “tempo livre”, “tempo disponível” e “tempo desocupado”. O “tempo do desocupado” é o tempo do desempregado, o tempo de uma vendedora tem quando não tem cliente na loja. Que é diferente do “tempo livre” que pode ser aproveitado de qualquer forma e o “tempo disponível” que seria o tempo fora do trabalho, mas com um caráter de obrigação.
No segundo capitulo vem trazendo as analises das duas grandes linhas do lazer, que é a educação pelo lazer e para o lazer. Esse capítulo vem afirmando o que foi analisado no capítulo anterior. E para o sociólogo Renato Requixa, o real tinha que ser a educação para o lazer, através da pratica do lazer. Isso quer dizer, a educação tradada de uma forma prazerosa, e que seja recompensada com o lazer.
Já no terceiro o objetivo é analisar especificamente a escola com relação ao lazer, o mesmo tem um duplo entendimento e vários equívocos.  Primeiro veem a escola como canal de reprodução já a segunda como um adestramento da sociedade capitalista, entretanto não quer criticar o valor da escola mas sim seu processo educativo. O autor da ideia de uma “Escola Permanente” que busca o desenvolvimento cultural e não tem uma separação de educação parar o lazer e educação no seu todo. Que hoje, no currículo escolar fica mais restrito o lazer na educação física.
No quarto e ultimo capitulo, um capítulo curto, que se inicia com um trecho da musica de Milton Nascimento (Elis Regina). Tem por analise os elementos para uma “Pedagogia de animação” que se baseia na escola como um centro cultural popular, escola onde haveria participação comunitária e o seu espaço não seria somente escolar.  
O livro é finalizado com uma conclusão fixada em duas paginas, contudo nos diz que não há uma separação entre o lazer, a escola e o processo educativo é uma obra rica em informações. A leitura dessa obra faz com que possamos com as analises, ter olhar multiplico sobre as concepções e importância do lazer e da educação levando em consideração o lazer.




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Resenha crítica do livro: "A janela de vidro: Esporte, televisão & educação física"



Por: Eric dos Santos Pereira

Dados da obra: BETTI, Mauro. A janela de vidro: Esporte, televisão & educação física. Campinas – SP. Editora: Papirus, 1998. 159 págs.


Credenciais do autor:
Mauro Betti, brasileiro é licenciado e mestre em Educação Física, doutor em Filosofia da Educação e livre-docente em Metodologia da Pesquisa em Educação Física. Trabalha na Universidade Estadual Paulista (Unesp) desde 1986, primeiro no campus de Rio Claro, e atualmente no Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências-Bauru. Também é docente e orientador no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.                       
Autor dos livros: Educação Física e Sociedade (Hucitec), A Janela de Vidro (Papirus), EF Escolar: ensino e pesquisa-ação (Ed. Unijuí) e organizador da obra Educação Física e Mídia: novos olhares, outras práticas (Hucitec).


Com o impacto que a mídia vem influenciando o esporte, o autor acaba se deparando com várias perguntas que são relacionados a educação, educação física, filosofia, ciência, esporte e a televisão.
Por meio de pensamento de vários filósofos e pedagogos o objetivo de BETTI é usar a hermenêutica para interpretar o discurso da televisão sobre o esporte e refletir criticamente sobre suas repercussões na educação física.


A obra foi dividido em cinco capítulos:
·         Capítulo I: Cenário
·         Capítulo II: Argumento
·         Capítulo III: Direção
·         Capítulo IV: Esporte em close
·         Capítulo V: Interpretação

No primeiro capítulo BETTI explica o que entende sobre educação física, educação e o esporte.

 O autor inicia afirmando que ninguém mais faz aula de educação física, que foi se transformando em “esporte”. Exalta também que devido a evolução histórica a concepção da Educação Física e a prática pedagógica precisa ser repensada. BETTI Destaca que: “A principal tarefa da Educação Física na Escola é introduzir e integrar o aluno na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir do jogo, do esporte, da dança e das ginásticas em benefício de sua qualidade de vida.”
Para o autor o conceito de educação física é denominada de maneira mais ampla como: "cultura corporal de movimento", um conceito comum contemporâneo.

Sobre a Educação o autor critica o “tempo moderno” com a crise dos “ismos” que resume a realidade precária da educação e a influência da religião, mídia, cultura e tecnologia.
Para o autor a educação é entendida como um permanente processo de valoração. Conforme esclarece Sônia A. I. Silva: "experiência, atividade ou relação axiológica que, enquanto tal, indica a vivência humana dos valores".
O autor busca necessidade de mudança, esperança e utopia, um planejamento de um futuro melhor e o aperfeiçoamento humano. E também apoia as reflexões de Flusser sobre a escola moderna que é: “supérflua, inoperante e anti-funcional.” 
BETTI expõe seus receios sobre o futuro da educação escolar e questiona qual é a importância do esporte como um objeto de educação.

Ao explicar sobre o esporte e a relações entre a educação e a escola o autor utiliza os conceitos do pedagogo francês Georges Belbenoit, que alguns conceitos utilizados por BETTI foram:

·         “O esporte é a forma mais rica e adaptada ao nosso tempo, de um tipo de “experiência de base”, carnalmente vivida, que permite construir, pela prática e pela reflexão, uma ética de saúde global.”

·         “O esporte é o fenômeno sociocultural mais importante de nossa época, e é tão urgente aprender a posicionar-se diante dele, quanto em relação aos meios de comunicação de massa.”

·         “Introduzir o esporte na escola, assim como as novas tecnologias pedagógicas, audiovisuais ou informáticas, é “fazer viver a escola com o seu tempo.”

Assim, para BETTI o esporte na escola deve ser entendido em sentido amplo, que vai além da competição, com qualidade de vida, atividades de lazer, valor higiênico, educativo e cultural.
No segundo capítulo o autor traz argumentos, diretrizes ao esporte e televisão (utilizando o termo genérico “mídia”).
Ele acredita que não é mais possível relacionar o esporte contemporâneo sem associá-lo aos meios de comunicação de massa. E a maneira como praticamos e entendemos o esporte foi o elemento chave dessa transformação, graças a figura do espectador, que está disposto a pagar para assistir as competições esportivas e financiar o sistema comercial do esporte. E por meios da popularidades dos astros esportivos, uma combinação de sucesso e imagem do produto, o esporte se torna atraente para as indústrias.
Por esse motivo o autor acredita que é mais que apropriado usar a expressão “esporte espetáculo” para definir o esporte nos dias atuais.
Assim BETTE disserta que a televisão traz novas formas de compreensão através da imagem e o som, a fragmentação, a velocidade, a "reconstrução" da realidade. Expondo então três ocupações importantes sobre a televisão defendidas por vários filósofos. A primeira ocupação mostra a TV como a função hipnótica, alienante, dominando os telespectadores de forma massiva, a reprodução da cultura como mercadoria no processo capitalista.
A segunda ocupação mostra que o problema não está nos meios de comunicação em massa televisionada. E sim em como as indústrias regem o marketing abusivo. E a terceira ocupação pode se resumir pelo julgamento de Eco, que a TV apresenta novas formas de vidas, diversas realidades sociais. Concluindo que a TV pode oferecer efetivas possibilidades culturais, Porem precisamos “peneirar” o que realmente é cultura do lixo audiovisual sendo assim, finalizo esse pensamento com a advertência de Eco: "só se salvará se fizer da linguagem da imagem uma provocação à reflexão crítica, não um convite à hipnose".

Para concluir esse capítulo o autor exibe o método hermenêutico, que sua função é compreender e explicar o sentido de um texto. E BETTI se propõe por meio da hermenêutica de Paul Ricoeur, interpretar o discurso da televisão sobre o esporte refletindo criticamente sua repercussão na educação física e seus educadores.

O terceiro capítulo o autor tratará o discurso e a hermenêutica, em busca de bases epistemológicas que sustentará nossa interpretação do fenômeno esportivo na televisão. Com o fundamento de desencadear as questões que a filosofia da educação remete a educação física, Fazendo uma reflexão crítica que desvele novos sentidos para as tarefas educacionais da educação física contemporânea.

 O autor expõe essas questões:

·         “A cultura esportiva contemporânea pode ser concebida sem considerar o esporte espetáculo promovido pelos meios de comunicação de massa como um seu componente? Quais as consequências de uma resposta positiva, e de uma resposta negativa, para a Educação Física Escolar?”

·         “Quais as repercussões para a tarefa educacional da Educação Física - tanto no plano axiológico como teleológico - o fato de seus conteúdos programáticos serem cada vez mais influenciados pela televisão?” 

·         “Quais os fundamentos de uma "pedagogia da imagem", que forme espectadores críticos, capazes de usufruir do esporte-espetáculo enquanto apreciação carregada de significação cultural, simultaneamente estética, lúdica, ética e técnica-informativa; uma apreciação, enfim, plena de inteligência e sensibilidade?”

·         “Se a Educação Física pretende-se uma disciplina educativa, quais as repercussões no plano ético que decorrem da difusão de novos valores sobre o esporte alimentada por um discurso comprometido com interesses comerciais?” 

BETTI termina o capítulo concluindo que a educação física não é mais um dado, e sim uma tarefa, um projeto para fazer a educação física a ser mais completa, com mais conteúdo.

Ao chegar no quarto capítulo o autor faz uma recapitulação do que foram empregados nos capítulos anteriores. Os problemas dos “ismos”, A busca de uma relação forma-conteúdo e a interpretação hermenêutica da televisão. Usando como estudo 180 horas de programações de 6 emissoras (Bandeirantes, SBT, Globo, Record, Manchete e Cultura) e identificando 9 direções, sendo: Falação, cotidiano, ao vivo, nostalgia, adrenalina, esporte global, anuncio publicitário, veja de novo e espetacular. 
Conceitos de algumas direções: 
Ao Vivo que proporciona a cumplicidade entre o locutor e o telespectador diante do inesperado.
Veja de novo que traz conforto de rever os lances, faltas com o recurso do replay e Espetacular o jogo de cores, música e a dramaticidade imprimida ao jogo pelo narrador.

No quinto capítulo o autor usa teorias sobre o esporte para nosso favor e a nossa compreensão, com objetivo de buscar os sentidos que permitem interpretar a crítica do discurso televisivo sobre o esporte, definir os limites do novo fenômeno: esporte telespetáculo, sendo: As teorias do jogo, as teorias marxistas, a teoria do processo civilizador, teorias culturalistas, a perspectiva da globalização e a perspectiva do “pós-modernismo.”
Assim, o esporte telespetáculo muda nossa maneira de perceber e praticar esporte, apresenta uma nova proposição de esporte que cabe à educação física apropriar-se criticamente se quisermos atualizar sua tarefa educativa e apostar na educação audiovisual.

BETTI diz que televisão deixa de ser um instrumento de percepção do mundo e se transforma em um método pedagógico que a educação física mobiliza para a interversão da vida. E para finalizar o autor conclui que nenhuma das teorias sobre o esporte dá conta da totalidade necessária à interpretação do discurso televisivo.


Ao finalizar o livro “A Janela de Vidro” é possível ter uma visão mais ampla da importância da mídia sobre o esporte (com formas positivas e negativas) e como isso pode afetar a educação física, e como podemos manobrar e acompanhar essa mudança tecnológica audiovisual. Fazer a educação física ser mais que apenas “esporte”, trazer conceitos, filosofias, críticas, a disciplina. Desestruturar os preconceitos, e o problemas dos “ismos” que permanece ao nosso redor. O livro me fez rever meus conceitos que eu, como um futuro profissional da área da educação física posso fazer sim a diferença mesmo que o ensino moderno seja falho.





Referências bibliográficas:

Credenciais do autor: http://cev.org.br/qq/mauro-betti/

Todos as citações, autores, filósofos, pedagogos que cito na resenha crítica se encontram nas referências bibliográficas do livro: A janela de vidro: Esporte, televisão & educação física. (Papirus) 1998.