sábado, 4 de dezembro de 2010

Renascimento

O Renascimento

O Renascimento foi um movimento cultural que tinha como fundamento a valorização do Humanismo, da laicização do conhecimento e do antropocentrismo. O homem foi tomado como o centro das preocupações; sua capacidade criativa e transformadora foi exaltada e tida como determinante na condução da sua própria realidade.

A base filosófica do Renascimeto foi o Humanismo, ou seja, a plenitude da valorização do homem. O Humanismo foi um movimento de glorificação do homem. Portador da razão, o homem era visto como perfeito, podendo submeter as demais criações divinas e seus desejos. Nas universidades medievais, o humanismo representou uma renovação cultural, cujo principal objetivo era modernizar os estudos ministrados, com base em disciplinas voltadas para os estudos humanos. Inicialmente, os humanistas eram de origem burguesa e defendiam um método crítico e de observação da natureza e do próprio homem. Estudos centrados no ser humano passam a ser a preocupação dos humanistas; tais estudos valorizavam a capacidade humana, atitude conhecida como antropocentrismo.

Esse movimento literário e filosófico teve origem na Itália e depois foi difundido entre os outros países da Europa. O Humismo constituiu um dos fatores fundamentais do surgimento da cultura moderna, porque juntamente com a Expansão Marítima, o Estado Nacional e a Reforma, colaboraram para o questionamento de alguns valores da ordem medieval e teocêntrica. O Renascimento introduziu aspectos mentais presentes na atualidade como o individualismo, racionalismo, e empirismo.

Essas transformações culturais e intelectuais significaram para a Europa cristã a arrancada decisiva em direção à “categoria de civilização de vanguarda”.

As bases materiais dessas mudanças na forma de conceber e explicar o homem, e suas relações com a natureza, decorrem do desenvolvimento econômico e social que a Europa feudal vivenciou a partir do século XI. O Renascimento é fruto do crescimento das cidades, onde a atividade mercantil tornava-se cada vez mais preponderante. A realidade urbano-mercantil representou a imposição de novas ideias, de novas preocupações e necessidades; o elemento central dessas demandas foi à burguesia.

O Renascimento Italiano

Fatores econômicos

Vários fatores explicam ter sido a Itália o berço do Renascimento. Em primeiro lugar, a cidades italianas conheceram um extraordinário desenvolvimento comercial a partir do século XII, transformando-se nos principais centros da economia européia. Foi justamente ali que se iniciou o pré-capitalismo, e com ele, a intensificação da vida urbana, que modificaria as bases da sociedade. A vida nas cidades estreitou os contatos entre as pessoas, favorecendo o intercâmbio de idéias, a difusão de favorecimento intercâmbio de idéias, a difusão de conhecimentos e uma nova maneira de ver o mundo.

O Renascimento pode ser considerado como a manifestação cultural dessa nova composição social, na qual o enriquecimento tanto de governantes como de particulares possibilitou a prática do mecenato. Sob a proteção direta de riscos patrocinadores (os mecenas), a vida cultural tendeu a expressar os valores correspondentes aos interesses da classe que emergia com o novo sistema- ou seja, a burguesia. Em suma, o Renascimento é a expressão de uma nova mentalidade, gerada pelo pré-capitalismo.

Fatores sociais: os valores burgueses

O mecenato funcionava como fator de projeção social, de perpetuação da glória dos mecenas.Num período em que a hierarquia da sociedade ainda obedecia ao critério do nascimento, a burguesia precisava encontrar outra maneira de alcançar o prestígio que o sangue plebeu lhe negava. Assim, o patrocínio de atividades culturais significava uma elevação do status social.

Fatores políticos: o poder dos príncipes e dos papas

Entretanto, não eram apenas os particulares que praticavam o mecenato. Também os príncipes italianos (governantes hereditários de cidades-Estados), e até mesmo os papas, serviram-se dele para legitimar ou amplias r seu poder.

Para se compreender esse aspecto, é preciso considerar a a peculiaridade da vida política italiana.

A Itália não possuía unidade política.Nela, a existência de numerosos corpos políticos independentes havia criado uma crescente centralismo dos demais países europeus.

Essa fragmentação política, da qual as cidades-Estados eram a expressão típica, fora determinada pelas constantes lutas entre o Papado e o Sacro Império Romano Germânico-Germânico. Nenhum desses dois poderes universais, que ao se chocar enfraqueceram-se um ao outro, conseguiu impor-se eficazmente na Península Itálica . Disso resultou o fortalecimento dos poderes locais que, tirando proveito do conforto entre papas e imperadores, puderam conservar sua própria independência.

É dentro desse quadro que podemos compreender as sangrentas disputas entre guelfos e gibelinos. Estas duas denominações, que a principio se aplicavam, respectivamente, aos italianos que apoiavam o Papado e aos partidários do Império, passaram depois a designar simplesmente as facções que lutavam pelo poder dentro das cidades da Itália.

A partir do século XIV, as lutas entre os partidos urbanos deram ensejo a usurpações e a ascensão de governantes tirânicos, preocupados apenas em se manter no poder .Durante o Renascimento, esses dirigentes lançaram mão do mecenato, rodeando-se de artistas e intelectuais, para fazer da produção cultural um instrumento legitimador de sua autoridade.

Nesse contexto, o papel dos intelectuais adquiriu relevo político. Eles se encarregaram de dar ,ao novo tipo de Estado assim constituído, sua justificação teórica.Com Maquiavel, nasceu a idéia da razão de Estado, cuja teoria correspondia aos desejos dos tiranos locais, posto que proporcionava cobertura ideológica a suas ações políticas.

Fatores culturais: o resgate da cultura clássica

Além da estreita conexão entre fatores econômicos, sociais e políticos que explica o Renascimento, é preciso destacar a presença da Antiguidade Greco-romana em solo italiano.Os modelos de que os renascentistas necessitavam estavam ali, ao alcance do artista e do intelectual; e não eram apenas os monumentos, as construções e a produção escultórica, mas também as obras literárias da Antiguidade.

Devemos ainda citar a influência que civilização bizantina exerceu no início do Renascimento Italiano.Na qualidade de depositários da tradição Greco-Romana, os bizantinos vinham transmitindo parte desse legado aos italianos, graças aos intensos contatos comerciais entre os dois povos. A contribuição bizantina para o Renascimento Italiano ganhou maior força quando os turcos otomanos tomaram Constantinopla (1453), o que obrigou numerosos intelectuais da cidade a se refugiar na Itália.

Expansão do Renascimento

A renascença manifestou-se primeiro nas cidades italianas, de onde se difundiu para todos os países da Europa Ocidental.Mas em nenhum deles o movimento apresentou tanta expressão quanto na Itália.Sem o embargo, é importante conhecer as manifestações renascentistas da Alemanha, França, países baixos, Inglaterra e, menos intensamente, da Espanha e de Portugal.

Características do Renascimento

Os homens do Renascimento tinham clara consciência de que viviam em um época distinta da Idade Média- tanto que foram os primeiros a dividir os tempos históricos em Antiguidade(definida pela cultura Greco-Romana), medievo (marcado segundo eles, por uma cultura de origem predominantemente bárbara) e Modernidade (caracterizada como uma época de progresso cultural, graças á redescoberta da civilização clássica) os renacentistas menosprezavam a cultura da Idade Média, considerando-a absolutamente inferior á da Antiguidade.

Atualmente, fazem-se sérias reservas á opinião dos renascentistas, pois o que afirmaram ser radicalmente novo era uma continuação da cultura que vinha se desenvolvendo desde os fins da baixa Idade Média. E seria um claro exagero concordar com sua afirmação de que a Idade Média não passou de uma Idade Das Trevas ou da Longa Noite de mil anos.

A propósito, deve-se notar que a preocupação em ver a História com juízo valor ativo permanece em muitos historiadores contemporâneos, os quais esquecem que nada é inteiramente novo e que as manifestações humanas precisam ser analisadas dentro da realidade de sua época.

Os elementos mais importantes do Renascimento eram: a valorização da cultura Greco-Romana, como paradigma no plano intelectual e artístico; a glorificação do homem o qual foi colocado no centro de tudo (antropocentrismo); a busca de um padrão intelectual que transcendesse as fronteiras nacionais(universalismo); a importância da Natureza de seus fenômenos; o racionalismo e o espírito crítico que se traduziram na adoção das observação e dos métodos experimentais.O racionalismo é um marco histórico característico do Renascimento, embora não seja exclusivo dele.

Conteúdo dos Slides

Renascimento

O Renascimento foi um movimento cultural que tinha como fundamento:

-> a valorização do humanismo;

-> a valorização da cultura greco-romana;

-> glorificação do homem (antropocentrismo);

-> a busca do padrão intelectual que transcedesse as fronteiras nacionais (universalismo);

-> racionalismo e o espírito crítico.

Fatores Geradores do Renascimento

-> As primeiras manifestações renascentistas acompanharam o processo de urbanização e ascensão da burguesia e a necessidade de adequar as concepções artístico-literárias ao novo ideal burguês.

-> Após a abertura do mar Mediterrâneo, recuperado durante as Cruzadas, as cidades italianas de Florença, Veneza, Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento capitalista, motivos pelo qual apresentavam as condições necessárias para a germinação e proliferação do Renascimento.

-> Desenvolvimento da Imprensa e de tipos móveis por Gutemberg permitiu a ampla difusão da cultura escrita, rompendo com o monopólio do conhecimento pelo clero.

Humanismo

->Humanismo é a palavra que define a revolução intelectual ocorrida no Renascimento.

->Os humanistas se caracterizavam pelo pensamento individualista, pelo o universalismo intelectual, pelo refinamento cultural e pelas preocupações espirituais.

Os princípios do humanismo cristão

->Propunha uma religião renovada, exaltando a interiorização e a individualização da experiência religiosa;

->Defendia a simplificação do culto, criticando o excesso de rituais e cerimônias quase todas teatrais, destituídas do verdadeiro sentimento cristão;

->Pretendia um cristianismo purificado, no qual as capacidades racionais e culturais dos homens pudessem se manifestar livremente. A investigação crítica da Bíblia conduziria a busca de novos valores;

->Criticava o clero por monopolizar a interpretações das Escrituras e por contruir uma ordem separada dos fiéis;

->Defendia a liberdade religosa e exaltava consequentemente, a tolerância religiosa e a concordia entre os credos.

Os grandes gênios renascentistas:

->Maquiavel - autor, entre outras, de O príncipe, no qual defende e justifica os governos absolutos.

->Shakespeare – entre sua vasta obra citamos: Hamlet, Macbeth, Otelo e Romeu e Julieta.

->Erasmo de Rotterdam – sua expressão maior foi o Elogio da Loucura.

->Tomas Morus – sua Utopia criticava a expulsão dos camponeses de suas terras pelo Estado inglês.

->Miguel de Cervantes – Dom Quixote, um romance em prosa satírica.

->Luís de Camões – Os Lusíadas, epopéia que exalta o povo português.

->Francesco Petrarca – O cancioneiro, livro de poesias líricas.

->Dante Alighieri – A divina Comédia, exalta a idéia do livre arbítrio.

->Giovanni Boccaccio – O Decameron, uma crítica severa aos membros da Igreja.

->Giotto di Bondone - pintor e arquiteto italiano. O Beijo de Judas, A Lamentação e Julgamento Final.

->Michelangelo Buonarroti - destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.Sua obra principal foi as pinturas realizadas na Capela Sistina.

->Leonardo da Vinci - pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais: Mona Lisa, Última Ceia.

Paralelo entre os valores medievais e os valores humanistas

Medieval

Humanista

Preocupação com a alma, salvação do homem , com os fenomenos espirituais.

Preocupação com o mundo concreto dos hoemns, com o agora, com a natureza e com a busca do controle do destino.

Ascetismo – vida de contemplação, da elevação da alma.

Hedonismo – vida de prazeres materiais e intelectuais

A pregagação religiosa reforçava a submissão do homem a onipotência divina, ao clero e a nobreza, preservando a dominação feudal.

A pregação humanista exaltava a capacidade transformadora, criadora, agindo sobre o mundo e a própria vida.

O conhecimento, o saber e a verdade são estabelecidos pelo princípio da autoridade dos classicos dos Padres e dos Santos

O conhecimento, o saber e a verdade são estabelecidos pela experimentação, pela observação. O saber é direito de todos.

Teocentrismo

Antropocentrismo

Geocentrismo

Heliocentrismo

Antinaturalismo

Naturalismo

Tempo: desvarolização do tempo humano, que é frágil perante a eternidade divina.

Tempo: valorização do tempo humano, dividido, matematicamente quantificado, a vida humana é o único espaço para realizar seus objetivos, seus negócios.

Referências Bibliográficas

-História para o Ensino Médio: Volume Único - Reformulado

Claudio Vicentino

- Objetivo - Sistemas e Métodos de Aprendizagem

José Jobsonde A Arruda

Francisco Alves da Silva

Eva Turin

http://educacao.uol.com.br/historia/renascimento-1-europa-retoma-valores-classicos.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia/renascimento-2-caracteristicas-do-movimento.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia/renascimento-3-as-fases-e-a-pintura-renascentista.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia/renascimento-4-esculturas-e-expansao-pela-europa.jhtm

http://www.brasilescola.com/historiag/artistas-renascimento-italiano.htm


Grupo: Francielle, Renata Fonseca, Renata Cristina, Marcela Naves, Jéssica Souza e Pamella Oliveira.

video

Um comentário:

  1. Filme - Decameron

    Sinopse

    O legendário diretor italiano Pier Paolo Pasolini nos traz nove contos exuberantes neste filme "rústico, genuinamente irreverente e picante" (Variety). Baseado nos eternos clássicos de Boccaccio - e o primeiro filme da Trilogia da Vida de Pasolini - Decameron é uma "irreverente travessura" (Variety), "positivamente triunfante em sua malícia" (Films and Filming)! Freiras devassas que realizam "milagres" sexuais, uma esposa traiçoeira com habilidade para negócios, um artista tuberculoso à beira da morte que tenta trapacear com o Céu, jovens amantes apanhados com as calças na mão, um criado que perde a cabeça por amor e um simplório fazendeiro que tenta transformar sua esposa numa égua. Estas são apenas algumas das histórias que Pasolini traz à vida com maestria!

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