quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

RESENHA DO LIVRO “O SENTIDO ÉTICO-ESTÉTICO DO CORPO NA CULTURA POPULAR"

Thiago Souza e Thays Peron

O livro “
O Sentido Ético-Estético do Corpo na Cultura Popular”, de Larissa Michelle Lara, é dividido em três capítulos sendo eles os citados a seguir: 1) RELAÇÕES HISTÓRICO-FILOSÓFICAS ENTRE ÉTICA E ESTÉTICA; 2) A CONSTRUÇÃO CULTURAL DO CORPO; 3) ENTRE CORPOS, PRINCÍPIOS E SENTIDOS. A união dos capítulos acima juntamente com a introdução, considerações finais e etc, nos traz 247 páginas em sua primeira edição lançada em 2011.
Ao longo desses capítulos e páginas a autora enriquece o livro com 11 figuras que trazem a tona, por exemplo, manifestações carnavalescas e a cultura da dança MARACATU, encontrada como uma das palavras chave do livro devido a muitas citações da mesma ao longo dos capítulos. Este livro foi escrito inicialmente como redação final da Tese defendida por Larissa Michelle Lara em 2004, e posteriormente publicado em 2011 pela editora da própria Universidade Estadual de Maringá - UEM. A autora é brasileira, possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (1995), especialização em Educação Física infantil pela UEM (1997). Além de possuir o título de mestra e doutora, ambos pela UNICAMP, em 1999 e 2004 respectivamente. A autora possui outra obra influente na área: Abordagens socioculturais em Educação Física. 

Penso que a obra é destinada principalmente a especialistas e universitários graduandos na área de ciências humanas e da educação física, e de grande utilidade a interessados em um material que fale sobre um assunto específico da área da educação física. É um livro extremamente difícil de ser compreendido para alunos que adentraram a pouco a universidade, indicado para ser lido, portanto, durante uma pós-graduação ou mesmo nos últimos períodos do curso de graduação. 
Segundo a autora em suas considerações finais formular uma teoria ético-estética do corpo é buscar dimensões que extrapolem uma visão unilateral e que instaurem um campo de ação plural, conduzindo o homem a novas relações consigo, com o outro e com a sociedade. Trata-se de demarcar a possibilidade de desconstrução das normas e padrões vigentes rumo a novas configurações, implementadas a partir de necessidades morais, juízos de gosto, experiências contemplativas e vivências corporais que se colocam como “urgentes” no contexto da sociedade contemporânea. 
O texto tem como objetivo analisar o sentido ético-estético do corpo na cultura popular, identificando as relações dialógicas entre ética e estética que levam à estruturação do campo gestual em comunidades populares.  
Segundo Larissa, as teorias que conduziram a estas discussões foram guiadas por uma questão problematizadora fundamental: como se dá a construção do sentido ético-estético do corpo na cultura popular? Tal inquietação a levou a um campo diverso e sedutor a partir do contato com a ética, a estética, a gestualidade e a cultura popular. Os resultados dão origem a novos desafios para a educação.
“A origem do sentido ético-estético não está em Nietzsche, mas certamente tem neste filósofo sua originalidade”. “Assim falou Zaratustra” é um primado da filosofia que traz em si o racional e o sensível, o poético, o filosófico, as desconstruções necessárias à condição de um novo homem. O profeta Zaratustra, por meio de seus ensinamentos, leva a esboçar uma outra estética, marcada pela morte de Deus e pelo surgimento de um super-homem, dotado de um desejo de poder, liberto da dominação cristã e de regras sociais já decadentes frente às transformações da humanidade.” (Lara, 2011 p 10)
Nota-se uma grande contribuição teórica acerca do corpo, da ética e da estética principalmente por meio do campo filosófico. A pesquisa aponta que o corpo, como construção cultural, tem algumas normas coletivas, instauradas por uma moralidade e uma estética construídas historicamente, transmitidas, pensadas e (re)significadas nos diferentes contextos sociais. Algumas dessas normatizações definem a convenção coletiva do uso dos gestos e das técnicas corporais próprias a cada comunidade de cultura popular. A construção do sentido ético-estético dá-se pelas regras de comportamento da comunidade, que conduzem ao delineamento de suas técnicas corporais e moralidade; pelos princípios e valores que caracterizam o que seja adequado e justo; pelo sentido de existência coletiva, preservação das tradições e religiosidade; pelas regras de competição impostas por setores externos; pelo jogo de conformismo e resistência que leva os populares a serem invadidos pela indústria cultural e a lutarem contra essa invasão; pela dinamicidade cultural e necessidade de reconhecimento social; pela denúncia às mazelas humanas.
Pensar ética e estética em seus traços conceituais é entender que embora cada termo tenha sua particularidade e seu momento histórico, as afinidades e inter-relações podem ser percebidas. A sociedade por meio de seus sujeitos, é ser produtor e usufruinte de cultura. E isso afeta diretamente o modo das suas relações. É possível ressaltar a estética minimamente envolvida com o binarismo sócio cultural. O belo e o feio são um grande exemplo.
O corpo é concebido e construído através da cultura com que se é inserido, mas isso só se faz aparente, à partir do momento em que nota-se que o homem como ser cultural é manipulável e de importante força laboral, o que sustenta a ideia de que seus desejos e vontades se baseiam na reflexão dos modos de se portar perante a sociedade.
O corpo é, também, reflexo do gestos dançantes. Isso pode ser determinante para identificação da cultura de um povo. Assim como, o mecanismo de simbologias religiosas, e festivas. O Brasil é culturalmente rico. Em cada região se encontra culturas diferentes. Estas que podem ser expressas através de vestuário, culinária e outros fatores, como folclore. O sujeito que vive no Brasil é desde muito cedo, apresentado as várias formas culturais existentes. A dança, como conceito geral, acontece e afeta de diferentes maneiras; na construção sociocultural do corpo, na expressão das vontades e na construção do belo. Com o passar dos anos, tem-se perdido, de certa forma a valorização e visualização do corpo como ser cultural, dada a inserção, por exemplo, de tecnologias, onde o sujeito conhece a cultura mas não vivência, ou pratica a cultura.
O livro tenta trazer à tona a importância da dança característica do país na formação do profissional da Educação Física e para o povo brasileiro em si, algo que está se perdendo ao longos dos anos.
O livro é uma espécie de estudo ou pesquisa que tem por objetivo analisar o sentido ético-estético do corpo na cultura popular, fala mais especificamente sobre danças culturais a partir do gestual popular, como o maracatu e como isso influência e tem grande importância na vida das comunidades populares e da população em geral.
No entanto, passou a ser necessário discutir, investigar e compreender as relações históricas e filosóficas entre ética e estética; pelo corpo como produto e produtor de cultura e pela percepção do sentido ético-estético em grupos de cultura popular, ampliada pela infiltração em uma comunidade de maracatu na cidade de Refice-PE. Que investigou como a ética leva à configuração estética do corpo na cultura popular e como esta mesma construção estética conduz a encaminhamentos éticos; perceber como se dá o sentido ético-estético em grupos de cultura popular, identificando possibilidades de estruturação gestual.


RESENHA CRÍTICA SOBRE O LIVRO: “HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DOS DESPORTOS NO BRASIL”. Autor: Inezil Penna Marinho

Alunos : Vitor P. de Oliveira e Daniel Henrique R. Valadares


Dados da obra:  INEZIL PENNA MARINHO. HITORIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DOS DESPORTOS NO BRASIL. RIO DE JANEIRO. VOLUME 1. EDITORA: RIO, 1952. 179 PÁGINAS.
CREDENCIAIS DO AUTOR:
Filho do Cônsul Ildefonso Ayres Marinho e de Ignez Penna Marinho, o ex-aluno do Colégio Pedro II Inezil Penna Marinho desde a juventude se destacava pelo gosto pela prática de esportes e pelo interesse pela filosofia, história e poesia.
Para a Divisão de Educação Física (DEF) do Departamento de Educação do Ministério da Educação e Saúde (MES), o pioneiro e um dos mais importantes órgãos federais ligados à Educação Física, Inezil entrou em 1939, dois anos depois da criação do órgão, como assistente técnico. Passaria a assistente de ensino em 1940 e em 1941 já era técnico de educação, o primeiro do Brasil ligado à Educação Física, e chefe da Secção Pedagógica da DEF. Sua carreira na DEF/MES é, logo, mesmo anterior a sua formação na ENEFD.
Cabe destacar que em 1958 já tinha mais de 100 monografias e dezenas de livros publicados, muitos dos quais em outras áreas de conhecimento. Já tinha também mais de 1000 artigos publicados em revistas como: Revista Brasileira de Educação Física, Educação Physica, Revista de Educação Física, Cultura Política, Boletim da DEF, Arquivos da ENEFD, entre outras.

- O livro é dividido em duas partes
1) Brasil-Colônia (1500 – 1822)
Na primeira parte do livro ele determina a faixa de tempo de 1500 até 1822. Começando com relatos de como era tratada a educação física na época, sempre relacionado aos índios que já habitavam as terras Brasileiras.
Os índios que estavam em terras brasileiras com a chegada dos portugueses eram descritos como selvagens, com o aspecto físico excelente, despertando a admiração dos europeus. Esses índios possuíam um grande contato com a natureza, e suas necessidades os obrigavam a utilizar suas forças físicas, apenas os fortes poderiam sobreviver, o que criava um tipo de seleção natural. A guerra fazia parte do cotidiano dos selvagens, então, para sobreviver deveriam estar preparados para ela.
Para a sobrevivência, as atividades mais praticadas eram a caça e a pesca, assim eles eram ótimos utilizando arco e flecha, que era sua arma de ataque e defesa a distância. Como é dito nesse fragmento: “Suas armas são arco, e frechas, e nessas são tão destros, que podem acertar a hum mosquito voando...” (“Noticias curiosas e necessárias sobre o Brasil” pelo P. Siman de Vasconcellos, da comp. De Jesus – Rio de Janeiro – Reimpresso na imprensa nacional – 1824 – (O original é de Lisboa, João da Costa, 1668).). A corrida a pé, era muito usada nas suas caças e também em guerras.
A natação e a canoagem também eram características desenvolvidas dos selvagens, eram “peritos nadadores e canoeiros”, segundo Joseph Beal Steere. Eles utilizavam canoas feitas da casca de uma árvore, que era propositalmente arrancado e normalmente podiam carregar cerca de 50 pessoas.
Os índios, tinham como líder aquele que se mostrasse mais valente e dignos de respeito. Eram respeitados por vontade dos índios e não por força, violência.
Esses selvagens tinham a saúde muito boa, normalmente viviam até a faixa dos 120 anos, o que para os europeus não era muito normal. Segundo outros autores, isso se dava pelas ótimas condições que o local onde eles viviam propiciava. Com uma grande riqueza de caça e pesca, aguas muito boas, entre outros fatores. Podemos observar isso nessa citação: “ A abundancia da terra, em caça ou pesca, contribuíam mais que nenhum outro motivo, para uma cabilda se decidisse assentar povoação e a levantar sua taba,...”(Porto Seguro, Visconde de – “História Geral do Brasil” – Tomo Primeiro – (1ª Edição) – Companhia de Melhoramentos de São Paulo – São Paulo – Pag. 33).
2) Brasil-Império (1822 – 1889)
Após proclamada a independência do Brasil, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, apresentava uma proposta para estimular gênios brasileiros a elaborar um tratado completo de educação.
Por causa do grande numero de emendas, ficou deliberado que o projeto voltasse a comissão, porem o projeto nunca mais voltou ao plenário.
Joaquim Jeronimo Serpa foi o autor do primeiro livro editado no Brasil sobre  Educação Física, em 1828, com o título “Tratado de Educação Física – Moral do Meninos”.
“Algumas considerações sobre a Educação Física”. Esse foi o título de uma tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro pelo Dr. Manoel Pereira da Silva Ubatuba, em 1845. Na tese ele demonstra a importância do exercício para a saúde.
Em 1855 o ministro Luiz Pereira de Couto Ferraz, dava as normas para a reforma do Colégio Pedro II, que incluia exercicios de ginástica no curriculo escolar. Dois anos mais tarde o colegio vinha a ser dividido em dois estabelecimentos de instrução secundária (internato e externato), sendo: "O internato será colocado fora da cidade, com terreno espaçoso não só para exercícios de ginástica, banhos e natação, como para recreio".
Dr. Eduardo Pereira de Abreu, em 1867, escreve o livro "Estatutos Higiênicos sobre a Educação Física, Intelectual e Moral do Soldado", didicando-o ao Donde d'Eu. Seu trabalho foi tão notável, que chegou a ser questionado de que não fora escrito na época, e sim em uma época avançada, aproximadamente meio século avançado.
O autor trata no livro a importância da Educação Física para o soldado, admitindo dois modos de ministra-la: em escola e isoladamente. Aponta a influência considerável do físico sobre a moral do soldado. Classifica os exercícios em elementares e de aplicação, prevendo a criação de escolas de natação.
Clube GInásio Português, criado em 1868, no Rio de Janeiro.
Amaro Ferreira das Neves, em 1874, apresenta uma tese à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, "Da Educação Física, Intelectual e Moral da Mocidade do Rio de Janeiro e sua influência sobre a Saúde". O autor faz estudos de fisiologia aplicada aos exercícios, mostrando as vantagens da sua moderação e os males dos excessos. Ele aconselha a dança, falando sobre os perigos da sedentariedade e os benefícios dos exercícios físicos.
O principal acontecimento de todo o Brasil Império foi o parecer de Rui Barbosa. onde em 1882, acontecia na Camara dos Deputadosa sessão em que discutia o Projeto nº 224. "Reforma do Ensino Primário e várias instituições complementares da Instruão Pública". Como membro da Comição de Instrução Pública, Rui Barbosa relata e opina sobre a Educação Física, precedendo as outras formas de educação.
Nos ultimos anos do Império, realizaram-se várias conferências, na Escola Normal. sobre Educação Física, algumas das quais presididas por D. Pedro II. Figuras como Bosges Carneiro, Martins Pacheco, Bandeira Filho, Pedro Manoel Borges e Vitório Costa, defenderam com toda força a Educação Física.

Com a leitura do livro podemos ver como a educação física era utilizada com os índios brasileiros, a partir da chegada dos europeus. Podendo observar que as atividades executadas pelos selvagens, eram tarefas necessárias para sua sobrevivência e também do seu grupo. Com o passar do tempo tais atividades passaram a ser vista como esporte, como forma de lazer, e outras coisas. E posteriormente, passou a ser ministrado na sala de aula, se tornando parte do sistema educacional.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Exploração infantil e utilização de mão de obra escrava na produção de cacau

Ae galera, deem uma olhada neste link se possível, que aborda a exploração infantil em empresas de produção alimentícia, tema que já foi levantado nas aulas e que merecem uma atenção especial.

Abraço.

http://oplanetaquetemos.blogspot.com.br/2016/02/as-7-marcas-de-chocolate-que-utilizam.html

CORPO E HISTÓRIA - Estudos Socioculturais da Educação Física, Esporte e Lazer Nome: Hugo Levenhagen Bustamante da Silva Resenha do livro "Educação Física e Ciências Humanas"



Título da resenha: Abordando novos horizontes na Educação Física


Livro: Educação
Física e Ciências Humanas (Yara Maria de Carvalho e Katia Rubio) - Hucitec,
2001.

Referência Bibliográfica

Educação Física e Ciências
Humanas, livro das escritoras Yara Maria de Carvalho e Katia Rubio (Hucitec; 170 páginas; 38 reais), (São Paulo, 2001). M. De Carvalho. YARA; Sistemas USP. Disponível em: <https://uspdigital.usp.br/tycho/CurriculoLattesMostrar?codpub=77A3A97D5A87>

Acesso em: 25 de Janeiro de 2016.

Rubio. KATIA; Fapesp. Disponível em: <http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/7354/katia-rubio/>
Acesso em: 25 de Janeiro de 2016

Bibliografia
Katia Rubio
É, brasileira, Professora associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. É bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (1983), é psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1995). Fez mestrado em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1998) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2001). Fez pós-doutorado em Psicologia Social na Universidade Autônoma de Barcelona. Tem 22 livros publicados na área de Psicologia do Esporte e Estudos Olímpicos. É membro da Academia Olímpica Brasileira.

Yara Maria de Carvalho
Brasileira, possui licenciatura e bacharelado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (1989/1990), especialização em Saúde Pública pela Universidade Estadual de Campinas (1990), mestrado em Ciências do Esporte pela Universidade Estadual de Campinas (1993), doutorado em Saúde Coletiva na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (1999) e livre-docência em Promoção da Saúde pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; pós-doutorado em Ciências Humanas e Saúde pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2003), em Antropologia da Comunicação Visual pela Università La Sapienza di Roma, Itália (2004) e em Filosofia pela Universidad de Córdoba, Argentina (2010). Atualmente é Professora Associada da Universidade de São Paulo. Orienta mestrado e doutorado na área de concentração Pedagogia do Movimento Humano/EEFEUSP. Orienta mestrado profissional no Programa de Pós-Graduação Interunidades "Formação Interdisciplinar em Saúde/FOUSP. Coordena o grupo de pesquisa CORPUS - Educação Física, Saúde, Coletiva, Filosofia, Artes. É coordenadora adjunta do Pró-Ensino da Saúde e do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (Pró Ensino e PET-Saúde) - USP Capital, projeto que agrega todas as áreas de saúde da USP Capital. Trabalha com grupos de investigação de outras unidades e departamentos da USP e com pesquisadores de outras universidades públicas brasileiras (UFRGS, Ufes, Unifesp, Unicamp). No exterior, é Professora Visitante do Instituto Politécnico de Coimbra/Portugal; desenvolve pesquisa com o Prof.Dr. Martin Bauer/London School of Economics/UK; e é responsável pelo Convênio de Cooperação Internacional com a Universidad Nacional de Río Cuarto e La Plata/Argentina. Autora de obras como O mito da atividade física e saúde, saúde, sociedade e vida: um olhar da Educação Física e de mais de sessenta e quatro publicações entre livros e artigos e em diversas obras.

Resumo

Nos capítulos desta coletânea, foram reunidos autores de diferentes áreas como: antropologia, educação, filosofia, história, psicologia, sociologia e educadores físicos, com o intuito de instigar pesquisadores, professores, estudantes e leitores de um modo geral, ao debate a respeito do que tem sido produzido na área de Educação Física com base nas Ciências Humanas. Trata-se de uma iniciativa da autora, que tem o objetivo de ampliar os conceitos sobre Educação Física acerca de fatos
históricos que marcaram os primórdios da relação entre corpo e mente, fatores sociais associados à prática esportiva, psicologia e metodologia de ensino e em âmbito escolar, desse modo, conduzindo a reflexão em novos campos de discussão, aproximando a Educação Física da humanidade e introduzindo novos conceitos, baseados nos conhecimentos multidisciplinares, através das ações de povos e civilizações que desde a origem do homem, sofreram influência da Educação Física, dos esportes e formas de lazer, abordados pelos autores, em contraste com as práticas e os conceitos disseminados pela sociedade em geral, que deixaram se perder grande parte destes saberes que estão sendo descobertos novamente.

Resenha

A área de Educação Física no Brasil, tradicionalmente, sempre fez parte das ciências biológicas e, consequentemente, sempre priorizou as explicações para sua atuação nas características anatômicas ou nas manifestações fisiológicas ou bioquímicas do organismo humano. Analisando os fatores históricos que fizeram com que a área de Educação Física tivesse essa exclusividade biológica em seus argumentos. Muito menos pretendemos negar a importância de estudos e pesquisas provindos das Ciências Biológicas para a Educação Física, tema abordado no livro por (BETTI; Mauro, 2001, p.115). Entendemos que estes estudos são necessários para debater na área acadêmica da Educação Física, entretanto, de um modo isolado, não conseguiriam compreender a área como um fenômeno com tais implicações sociais, políticas e culturais. A partir de avanços de estudos oriundos das ciências humanas nos últimos anos, passando a considerar a Educação Física como um fenômeno sociocultural, possibilitando a discussão do conceito de “formas de culturas”, para uma área em que isso era até há pouco tempo inexistente. Os currículos dos cursos de graduação de Educação Física somente há poucos anos vêm incluindo disciplinas próprias das ciências humanas como Sociologia, Antropologia e outras, sendo útil para a ampliação da discussão na área. As publicações em artigos e livros que utilizam como base de análise de Educação Física e conhecimentos das ciências humanas, têm aumentado nos últimos anos, indo de encontro com conceitos nunca antes aprofundados somente na área da Educação Física. Afirmar que a Educação Física lida com conteúdos culturais e pode ser introduzida a partir das ciências humanas, são mudanças no conceito de corpo e a concepção biológica. Talvez uma das maiores contribuições das ciências humanas para o estudo da Educação Física tenha sido, a revisão e ampliação do conceito de corpo. A área de Educação Física no Brasil, originária dos conhecimentos médicos higienistas do século 19, foi influenciada de forma determinante por uma visão de corpo biológica, médica, higiênica e eugênica, de acordo com (SOARES; Carmem Lúcia, 2001, p.53). Essa concepção naturalista atravessou praticamente todo o século 20.

As consequências dessa exclusividade biológica na consideração do corpo pela Educação Física, parece ter sido a construção de um conceito de intervenção pedagógica como um processo somente de fora para dentro no ser humano, que atingisse apenas sua parte física, como se ela existisse de maneira independente, desconsiderando, portanto, a complexidade corporal e sociocultural onde esse ser humano está incluso.

As concepções de Educação Física como sinônimas de aptidão física, a opção por metodologias esportivas, o conceito biológico de saúde utilizado pela área durante décadas, apenas refletem a noção do ser humano como objeto exclusivamente biológico, noção que somente nesses últimos anos começou a ser revista e modificada. Essas concepções parecem ter sido determinadas por uma tendência à padronização da prática de Educação Física, sobretudo a escolar. Segundo essa lógica, de
acordo com a filosofia do autor e uma das teorias abordadas pelo livro, se todos os seres humanos possuem o mesmo corpo visto exclusivamente como biológico, composto pelos mesmos elementos, ossos, músculos, articulações, tendões, consequentemente, a mesma atividade proposta em aula servirá para todos os alunos, causando neles os mesmos efeitos tomados como benefícios. Este conceito talvez explique a tendência da Educação Física em padronizar determinados procedimentos, tais como voltas na quadra, metragens, marcação de tempo, repetição exaustiva de gestos esportivos, que se tornaram essenciais para criação de regras e formas de treinamentos em diversas modalidades esportivas.

A partir dessa concepção de corpo e de Educação Física, não havia espaço nem interesse em aspectos estéticos, expressivos ou subjetivos. A tendência era de uma ação sobre a dimensão física, passível de treinamentos visando à repetição de técnicas de movimentos, sejam as esportivas, das ginásticas ou de atividades rítmicas. Era como se a Educação Física fosse responsável por uma intervenção sobre um corpo tido como natural e sem técnica, a fim de dar a ele padrões mínimos de funcionamento para a vida em sociedade, de maneira exemplificada no texto de (FONTANA; Roseli A., 2001, p.41).

O papel da escola inicialmente fundamentava-se na preparação dos indivíduos para o modo de
produção industrial e capitalista, que exige obediência a regras, horários, movimentos repetitivos e rígidos. Considerando os aspectos psicológicos individuais dos gestos, isso era desvinculado da capacidade física, como se o corpo fosse a expressão mecânica de uma superioridade psíquica ou mental. De certo modo, a Educação Física proposta seja nas escolas ou nos clubes e academias, era uma só, como se as diferenças socioculturais não fossem responsáveis por variações de desenvolvimento da capacidade motora, em atividades físicas de diferentes interesses e motivações por parte dos alunos, em relação as práticas corporais, enfatizado no texto de (MACHADO; Afonso Antônio, 2001, p.131). 
O autor conclui ao fim do livro, que, as questões ligadas às práticas socioculturais relacionadas à Educação Física, são guiadas por problemáticas, de diversas ciências e filosofias, que atraem focos de discussões e debates através da exposição midiática e emergindo novas reflexões e opiniões sobre o tema. O enfrentamento destes conflitos e problemáticas, em grupos, de forma a alcançar um objetivo comum, implica a maiores chances de se atingir uma meta pessoal do indivíduo, tendo como base os conceitos científicos e sociológicos adquiridos em um processo de aumento da capacidade física pessoal e intelectual, estimulados pela intensidade motivacional de cada pessoa.
  
Crítica

Ao término da leitura do livro, a importância do texto são os ideais dos autores que nos induzem a reflexão sobre temas que contextualizam o entendimento do envolvimento sociocultural, físico, psicológico, histórico e educativo em relação com a Educação Física, englobam as ciências humanas para uma compreensão mais ampla sobre práticas esportivas e lúdicas de um modo geral. Os textos utilizam linguagens concisas, simples, precisas e coerentes nas abordagens dos temas aprofundados em cada um de seus capítulos.

 O livro é destinado a pessoas de diferentes níveis intelectuais, desde alunos de graduação aos profissionais da área, que buscam especializações visando, ampliar seus conhecimentos, criando debates e discussões definindo novas perspectivas sobre a definição de Educação Física
interagindo de maneira conjunta com estudos e práticas socioculturais. As consequências da publicação destes estudos sugerem uma maior compreensão em processos ainda persistentes na sociedade atual, quando notamos, principalmente através da mídia, a valorização no ser humano do corpo “malhado”, “sarado”, treinado exaustivamente nas academias de ginástica, novos templos de padronização de corpos, que literalmente esculpem os corpos de clientes em busca por sucesso, estética corporal e estilos de vida saudáveis. Mesmo nos clubes e nas escolas, a mídia tem ditado às formas de movimento ou os padrões de corpo e os profissionais da área têm tido dificuldade em se opor a esse processo, não levando seus alunos a uma postura crítica em relação a esses mecanismos de padronização, tornando ainda a Educação Física preconceituosa e discriminatória. Este tipo de leitura estimula reflexão sobre o posicionamento a ser tomado em relação ao ideal de corpo magro e sarado, como são e como devem ser tratados os alunos abaixo ou acima do peso ideal e que tipo de ideais ou pré-conceitos são formados quando nos deparamos com pessoas em condições

semelhantes.





Nome: Ruan Aguiar da Rocha

Resenha do livro “ A sociologia do corpo” de David Le Breton

   “A sociologia do corpo constitui um capítulo da sociologia especialmente dedicado à compreensão da corporeidade humana como fenômeno social e cultural, motivo simbólico, objeto de representações e imaginário. Sugere que as ações que tecem a trama da vida quotidiana – das mais fúteis ou menos concretas até aquelas que ocorrem na cena pública – envolvem a mediação da corporeidade. ” (Pag.7)

   Na introdução, o autor argumenta a respeito das ações que levam um indivíduo a se comportar em meio público, referem-se a seu meio social. Todo o uso físico do homem depende de seu tempo e meio social onde vive, e também de aspectos adquiridos com o decorrer de sua vida, levando em consideração que o corpo é um receptor ou emissor, produzindo continuamente sentidos, assim o inserindo em seu meio cultural e social.
   No primeiro capitulo retrata que o caminho histórico da corporeidade humana se deu no decorrer do século XIX, podendo se distinguir três momentos fortes: 1°-uma sociologia implícita no corpo; 2°-uma sociologia em pontilhado; 3°-uma sociologia do corpo. Sendo o primeiro: “embora não negligencie a profundidade carnal do homem, não se detém verdadeiramente nela. Aborda a condição do autor nos diferentes componentes e, sem se esquecer do corpo, dilui, no entanto, sua especificidade na análise.”. Segundo: “proporciona sólidos elementos de analise relativos ao corpo, mas não sistematiza a reunião dos mesmos. ”. Terceiro: “inclina-se mais diretamente sobre o corpo, estabelece as lógicas sociais e culturais que neles se propagam. ” (Pag.15)
   No segundo capitulo, Le Breton, define a ambiguidade da definição corporal segundo grupos sociais e alguns elementos etnológicos.
   O terceiro capítulo traz uma colaboração interessante sobre a sociologia que investiga a corporeidade. “...falar de sociologia do corpo é uma maneira cômoda de falar de sociologia aplicada ao corpo; esta é uma dissidência epistemológica oferecendo a especificidade do campo de estudos e dos métodos. ” (Pag.38), sendo que o corpo é objeto de estudo de outras áreas do conhecimento.
   No quarto capítulo trata-se dos estudos relacionados a corporeidade, partindo, dos trabalhos efetuados, desbravando assim alguns campos, “...as técnicas do corpo, a expressão dos sentimentos, a gestualidade, as regras de etiqueta, as técnicas de tratamento, as percepções sensoriais, as marcas na pele ou na própria carne, a má conduta corporal...” (pag.39), assim entrando em uma área especifica da sociologia do corpo.
   No capitulo cinco tenta identificar o corpo com o autor que personifica (relações alma-corpo-espírito-psique-soma, etc.), isto é, buscar estudar a fisiologia simbólica e as partes que o compõe. Buscando abranger as lógicas sobre a condição humana sob a perspectiva biológica, neurológica ou genética, sendo que a corporeidade passa a ser subordinada a natureza. Outro aspecto deste capítulo é a diferença entre os sexos, tornando o mesmo, “...traços estruturais, em torno dos quais a sociedade humana acrescenta infinitos detalhes para definir socialmente o que significa o homem e o que significa mulher...” (pag.65). Outro ponto importante deste capitulo é sobre os diferentes valores dados ao corpo, o racismo e a deficiência física.
   No capítulo seis, trata-se de uma visão do corpo como forma de pesquisa; no espelho social, visto como forma de objeto a ser moldado segundo padrões de beleza; no controle político da corporeidade, visto que “...qualquer política é imposta pela violência, pela coerção e pela imposição sobre o corpo. Toda a ordem política vai de encontro à ordem corporal. A análise leva a crítica do sistema político identificando com o capitalismo que impõe a dominação moral e material sobre os usos sociais do corpo e favorece a alienação. ” (Pag.79); classes sociais e relações com o corpo, tendo em mente que as diferenças entre culturas, definem os valores sobre o corpo; a modernidade, sendo o campo que usa de manipulações de símbolos que caracterizam o consumo; risco e aventura, a busca de aventura e de riscos, cada vez mais ganha espaço entre os povos amantes de conhecimento; o corpo supranumerário, “...esse modelo, ao mesmo tempo em que parece fazer do corpo um membro supranumerário do homem, encoraja a dele se desfazer...”(Pag.89).
   No sétimo e último capítulo, disse respeito que a sociologia do corpo não é setorial, e sim social, sendo assim, ainda está em construção, pois a análise corporal permanece na sociologia, desde a origem.

 

Resenha do livro 'Metodologia do Ensino de Educação Física"

Alunos: Mariana Fonseca de Paula e Allyson Pereira Villela


Na obra, os autores buscam compreender os modos da Educação Física escolar que são: desenvolvimento da aptidão física a reflexão sobre a cultura corporal e as relações de suas matrizes pedagógicas.
1° - A respeito do projeto politico pedagógico: Os autores destacam uma característica emergente chamada de crítico-superadora que tem três características diferentes, sendo elas, diagnostica, judicativa e teleológica. Diagnóstica porque toma no conhecimento e lê os dados da realidade, é também judicativa, uma vez que julga essa constatação a partir de uma ética proveniente de interesses de determinada classe social e, por fim, teleológica, pois há um objeto específico. Assim tendo em vista as determinações de classes o projeto político-pedagógico representa uma intenção, a qual o professor deve ter bem definida.
2° - Concepção de currículo ampliado: Nesse segundo item, os autores destacam principalmente que o currículo é a reflexão do aluno, desenvolvendo e construindo sua capacidade intelectual. A função da escola seria tomar para si o conhecimento cientifico dando-lhes um tratamento metodológico a fim de debater com a realidade sociocultural dos alunos.
3° - Alguns princípios curriculares no trato com o conhecimento: Nas disciplinas, todos os conhecimentos tratados na sala de aula devem sempre estar relacionados e vinculados à realidade sociocultural do aluno, deste modo, contribuindo com a construção de suas identidades de classe. Assim os conteúdos devem ser ministrados de forma simultânea e espiralados, preservando sua historicidade para que o aluno tenha sempre uma noção de totalidade do conhecimento.
4° - Ciclos de escolarização: Os autores apresentam um novo modelo que deveria ser utilizado para ministrar os conteúdos na escola, são divididos em quatro Ciclos:
O primeiro Ciclo de escolarização seria o período da pré-escola até a 3ª série, onde os alunos estão em “contrariedade” tentando identificar as semelhanças e as diferenças que por sua vez, aparecem de forma difusa e misturadas.
O segundo Ciclo vai da 4ª à 6ª séries. É onde os alunos começam a sistematizar o conhecimento. Neste ciclo o aluno já teria desenvolvido a capacidade de abstração, estabelecendo relações complexas entre as coisas, assim tendo um salto qualitativo no momento que consegue estabelecer relações.

O terceiro ciclo seria da 7 ª à 8 ª séries. Esse ciclo seria a ampliação do conhecimento, onde desenvolveria a consciência da atividade teórica, dando um salto qualitativo quando se tornaria capaz de reorganizar e identificar os dados da realidade através do pensamento teórico.
E por fim o ultimo ciclo é do 1° ao 3° ano do ensino médio e denomina-se ciclo de aprofundamento da sistematização do conhecimento. Aqui o aluno desenvolveria a capacidade de refletir sobre os objetos, assim dando um salto qualitativo quando passa a ser produtor de um conhecimento cientifico quando é submetido às atividades de pesquisa.
No segundo capítulo da obra, logo no inicio os autores apresentam a definição de educação física como sendo uma prática pedagógica, que no âmbito escolar, são formas de atividades expressivas corporais, como danças, esportes e ginásticas que por sua vez, caracterizam a cultura corporal. Com o objetivo de facilitar o entendimento da história da educação física.

“Metodologia do Ensino da Educação Física: a Questão da Organização do Conhecimento e sua Abordagem Metodológica” é o nome do terceiro capítulo. Nele vemos que a Educação Física é uma disciplina que trata de uma área denominada “cultura corporal”. Assim como a matemática, a geografia ou o português, a educação física tem que ser tratada como uma matéria que precisa ter seus valores e conhecimentos transmitidos aos alunos através das escolas.
Para isso acontecer, o conhecimento precisa ser sistematizado, o tempo de aprendizagem para absorção dos conteúdos tem que ser respeitado e métodos didático-metodológicos são necessários para ensinar os alunos.
Os autores mostram que para transmitir o conteúdo ao aluno, sua situação econômica, social, cultural e até mesmo pessoal devem ser conhecidas e analisadas pelo professor para obter sucesso em seus ensinamentos.
No capítulo 3 existe um exemplo de sistematização e distribuição dos conteúdos na rede escolar que tem como referência o livro “Contribuição ao debate do currículo em Educação Física: uma proposta para a Escola Pública”. Seguindo essa referência, os conteúdos deveriam ser divididos da seguinte maneira: Jogo, esporte, capoeira, ginástica e dança. Essa divisão é vista como um modo mais prático de ensinar aos alunos a importância histórica de cada atividade.
O quarto capítulo do livro discute os métodos utilizados para avaliar os alunos no Brasil. Segundo Faria Júnior, a avaliação da educação física estabelece critérios com fins classificatórios e seletivos, tendo como conseqüência a discriminação e evasão dos alunos.
A avaliação do processo ensino-apredizagem é muito mais do que simplesmente aplicar testes, levantar medidas, selecionar e classificar alunos.
Os métodos avaliativos que prevalecem hoje em dia são meramente ilustrativos e só são aplicados para atender as normas expressas nas escolas e na legislação. Podemos observar isso nas “listas de presença” que circulam pelas escolas. Essas listas são utilizadas como parte do método avaliativo sendo que não provam em nenhum momento, que o aluno está conseguindo seguir o raciocínio e conteúdo que o professor está tentando passar a ele.
A discriminação existente devido aos métodos avaliativos pode ser percebida quando os professores separam grupos nas salas e escolhem “líderes” para tais grupos, levando em conta qual aluno é considerado “mais capaz”.
Esses fatos acabam tornando a educação física escolar numa atividade desestimulante, segregadora e até aterrorizante, principalmente para alunos considerados menos capazes ou não aptos.
O processo avaliativo que o livro propõe, leva em conta o projeto histórico, as condutas humanas, as práticas avaliativas, as decisões em conjunto, o tempo pedagogicamente necessário para aprendizagem, a compreensão crítica da realidade, entre outras coisas.
Considerações sobre o livro:
Como a obra possui a opinião de vários autores, foi possível retirar dela pontos de vista diferenciados e que mesmo assim tem como objetivo comum encontrar uma metodologia de ensino da educação física mais organizada e que tenha um efeito positivo e duradouro na vida dos alunos. Os métodos utilizados hoje, podem receber várias alterações e melhorias para que abranja um numero maior de alunos em diferentes classes sociais, e o livro tenta propor algumas soluções e idéias para novos métodos. Os autores procuraram ter como base a história e cultura dos alunos, para manter as avaliações mais justas.

Referências bibliográficas:

Autores:
Micheli Ortega Escobar
Elizabeth Varjal
Valter Bracht
Celi Taffarel
Carmen Lúcia Soares
Lino Castellani Filho
Faria Junior

Título da Obra:
Metodologia do Ensino de Educação Física
Editora: Cortez
Publicação: 1992





RESENHA DO LIVRO A EDUCAÇÃO FÍSICA CUIDA DO CORPO... E "MENTE"




RESENHA DO LIVRO A EDUCAÇÃO FÍSICA CUIDA DO CORPO... E “MENTE”

MÁRCIO NORBERTO FARIAS
Professor da Universidade Federal de Lavras – UFLA

DIEGO HENRIQUE DIAS
Aluno da Universidade Federal de Lavras – UFLA, do curso de Educação Física















RESENHA DO LIVRO A EDUCAÇÃO FÍSICA CUIDA DO CORPO... E “MENTE”



INTRODUÇÃO___________________________________________________
O livro A Educação Física cuida do corpo... e “mente” (2007, 22º ed.) analisa os problemas que envolve as atividades físicas sobre a cultura em nosso país. O problema do corpo em nossa sociedade vem sendo colocada em planos inferiores na escala de valores que se vem formando em nossa nação. Os profissionais ligados a área da educação física precisam repensar com mais seriedade o problema do corpo. É nesse sentindo que a nossa cultura está necessitando de uma revolução. Uma revolução que comece com uma “crise”. Uma revolução verdadeira exige a participação crítica de toda uma coletividade interessada em melhorar o padrão cultural de todos os membros.

PALAVRA-CHAVE: Revolução; “crise” e coletividade.






RESENHA_______________________________________________________

O livro do autor MEDINA. J. P. S: A Educação Física cuida do corpo... e “mente” é um livro que movimenta nossa inteligência, instiga a curiosidade e surpreende nossa imaginação. Já na capa podemos observar um instrumento de poder e dominação.
No decorrer da leitura, o livro mostra uma visão crítica e inovadora aos profissionais e os futuros docentes da área das atividades física.
Na visão do autor começa a surgir um momento para ser repensar com mais seriedade o problema do corpo – e em especial a educação física que desde o início de sua história, vem sendo colocada em planos inferiores na escala de valores que se vem formando em nossa nação. O problema do corpo em nossa sociedade tem de ser repensada, e está é uma tarefa urgente dos profissionais ligados à área da educação física. É nesse sentido que a nossa cultura está necessitando de uma revolução. Uma revolução que comece com uma “crise”.
Uma revolução que comece com uma “crise” exige a participação crítica de toda uma coletividade interessada em melhorar o padrão cultural de todos os seus membros, tal revolução não pode, contudo, ser um projeto exclusivo de profissionais da educação física – é necessária uma crescente participação de todas as camadas da população do nível da ação.
Diante desses conceitos precisamos melhorar nossa visão em relação à humanização em todas as suas características críticas expostas pela sociedade no campo da Educação Física. Os estudantes precisam abrir os olhos revendo e pensando no perfil dos profissionais atuantes e procurando reflexão crítica e de ação com o conceito de visão de alternativas inovadoras e transformadoras para a sociedade em todos os paradigmas existente no nosso país.
As atividades físicas têm sido motivo de atenção nos últimos tempos por educadores, médicos, cirurgiões plásticos, nutricionistas etc. Devido o interesse ao crescimento cada vez maior pelas atividades físicas e o significativo crescimento da população por interesse na beleza dos corpos atrai a Educação Física como centro da atenção dando a ela uma responsabilidade mais compromissada.
E nessa perspectiva que se torna necessária, antes de qualquer coisa, a nossa determinação em participar desse processo de transformação do homem e da sociedade brasileira. Precisamos assumir posições – quaisquer que sejam elas -, fundamentá-las criticamente e defende-las. Mas é necessário também revê-las, dobrar-se humildemente diante de alternativas entendidas como tais significativas, e acima de tudo, há de se respeitar as posições contrárias, uma vez que pretendemos buscar um projeto coletivo de convivência mais humana, um projeto que comece no respeito ao individuo como pessoa.
“Agora, a educação dos futuros cidadãos deve passar, automaticamente, pela educação de seus corpos, em particular, a dirigida aos movimentos musculares”. (SAN’ ANNA, 2001).
O professor de Educação Física de excelência e qualidade tem que saber trabalhar com as diferenças do âmbito escolar e dentro das academias. Ele é o principal responsável na lida dos corpos de cada pessoa, do aluno gordo, magro, baixo, alto, branco, negro etc. O professor de Educação Física tem papel fundamental de visar aos alunos à igualdade e não inferiorizando e nem discriminando. Isso faz o profissional avaliar seu próprio trabalho em um conhecimento prático-teórico, e também organizando o seu trabalho na observação, no planejamento e na documentação etc. Esse é um desafio importante nas condições de ser um bom professor.
O professor, que se compromete eficientemente o seu trabalho quando se deparar com tais diversidades fica sendo responsável pelo trabalho satisfatório e de resultados na contribuição do crescimento de seus alunos.
O livro nos leva a um pensamento onde podemos refletir sobre a educação e principalmente os pontos críticos da Educação Física e termos consciência do lado negativo e positivo que ela pode beneficiar no interesse da sociedade, que cada vez mais está á procura das atividades físicas e que o profissional pode causar estímulo buscando uma percepção revolucionária da verdadeira identidade da área e ao mesmo tempo oferecendo metodologias que possa mudar essa realidade de Educação Física Convencional e Modernizadora para uma Educação Física Revolucionaria.
REFERÊNCIAS__________________________________________________

MEDINA, J. P. S. A Educação Física cuida do corpo... e “Mente”. Campinas: Papirus, 2007.

_______. Cuidados de si e embelezamento feminino: fragmentos para uma história do corpo no Brasil. In: SANT’ANNA, Denise Bermuzi (Org.). Politicas do corpo. São Paulo: Estação Liberdade, 1995. 192 p. 
Estudos Socioculturais da Educação Física, Esporte e Lazer
Resenha do livro “Politicas do Corpo”, de Denise Bermuzzi de Sant’Anna
Aluno: Antonio Vitor Celestino Ferreira dos Santos            
Turma: GFD-105,  29ª bacharelado
Professor: Márcio Farias

                                         Editora: Espaço Liberdade
                                         Idioma: Português 
                                         Edição: 1
                                         Ano: 1995
                                         Assunto: Psicologia

“Esta coletânea não pretende realizar uma historia do corpo, coesa e linear, para descobrir suas evoluções no tempo. Diferentemente, seu objetivo é fornecer diferentes pistas para a análise de corpo enquanto objeto heterogêneo e plural. Os testos aqui reunidos partem do princípio de que a reflexão sobre o corpo é pertinente não apenas à medicina e à biologia, nem exclusiva às abordagens religiosas e filosóficas. Tendo em vista o caráter histórico do corpo, os artigos aqui reunidos questionam os saber científicos e não científicos que sobre ele se apoiam, da medicina à arte, passando pela história e pela antropologia.” (pg.13).
Políticas do Corpo é um livro construído em cima de artigos de vários autores, incluindo a própria Denise. No começo o leitor já se surpreende por ver que não é um livro comum, com a mesma temática do inicio ao fim. Por mais que o assunto gire em torno do corpo humano, os artigos têm temáticas bem diferentes entre si.
Nos primeiros capítulos vemos os artigos de Georges Vigarello, Jocelyne Vaysse e David le Breton. O artigo de Georges “Panóplias Corretoras” é de conteúdo histórico de como eram as maquinas corretivas e seus avanços em relação às crianças, mas sempre expondo suas opiniões quando tinha uma brecha. Jocelyne aborda o tema do transplante de coração de uma maneira cientifica e sentimental, pelo o fato de que cada coração tem a batida certa para cada pessoa. Le Breton, exemplificando sua tese nos livros “Frankstein” (Mary Shelley 1818), “A ilha do doutor monreau” (H.G Wells 1896), retrata a atração e curiosidade do ser humano da vida e morte, como são as experiências desses dois grandes livros.
O destaque que dou a esses primeiros capítulos e como Denise quis passar que estamos cada vez mais nos equiparando como máquinas, objetos não complexos, substituíveis. Já abrindo espaço para outros três próximos artigos vindo a sequencia, “Obeso Benigno, Obeso Maligno”- Claude Fischler, “Os Stankonovistas do Narcisismo”- Jean-Jacques Courtine, “Os Desafios da Leveza”- Christian Pociello.
No artigo de Claude “Obeso Benigno, Obeso Maligno” começa a aparecer o verdadeiro motivo que levou Denise a sua seleção de artigos. Com magnificas colocações, o texto aborda a ambivalência do gordo (expressão usada no artigo), sua imagem e reflexos na sociedade (o bom e ruim). Mais que evidenciado que isso não é a opinião de Claude, mas sim a da nossa sociedade. Falamos que eles são extrovertidos, amigáveis, engraçados, mas temos certa fobia à gordura; quando vemos um gordo em um trabalho de alto esforço físico não o vemos mais como gordo e sim como forte, mas ao depararmos com um sentado a um computador comendo já nos passa a imagem de escória. O triste fato é de que o gordo na sociedade, mesmo sendo o bom gordo, será o palhaço, brincalhão, extrovertido, motivo de chacota e nunca como um membro igual aos outros.
E de maneira genial, Denise já nos manda “Os Stankonovistas do Narcisismo” onde retrata a busca do corpo “perfeito”. Músculos aqui, músculos lá, um desfile Freak, assim começa o artigo de Jean-Jacques. Body-building um espetáculo de homens em uma cerca mostrando monstruosos corpos, quanta semelhança a um zoológico não é? Sem falar dos riscos de se tornar um “monstro”, alimentação extremamente regrada, exercícios de alta intensidade e infelizmente trapaças que causam grandes riscos a saúde como os esteroides anabolizantes, nos faz pensar qual é o pior, a obesidade ou obsessão ao alto volume muscular?
“Desafios da leveza” Christian Pociello, o mais curto dos artigos e um dos mais interessantes, mostra a mudança dos esportes de hoje em relação a um passado não tão distante. Aquele padrão de antigamente, engessado, mecânico e uniforme foi dando espaço à criatividade, um exemplo foi o avanço de esportes livres (skate, surf, ciclismo, etc...), novas vestimentas mais vivas e elásticas e novas táticas e execuções em grandes esportes coletivos. Reflexo imediato perceptível em nossa sociedade, nada mais de calções para atividades de cárdio e sim roupas mais leves, justas, aderentes ao movimento, com cores vivas definindo a leveza retratada.
Enfim o artigo de Denise, “Embelezamento Feminino no Brasil”. Minucioso, detalhado e polemico começa com uma pegada branda, apresentação bem educada, mostrando através de dos tempos o quesito de beleza e vai se soltando com o passar de letras. Ela indaga o porquê do adjetivo “feio”, “brega” e outros mais, embasada na relação do tempo, na relação do que é bonito hoje pode ser feio e brega amanha, até mesmo o tipo físico ( onde ela lembra quando mulheres gordas eram consideradas o mais alto padrão de beleza). E com mais veemência ela indaga o porquê da mulher querer seguir esses padrões impostos com tanta obsessão, algo que só a desvaloriza e a deprime quando ela devia se aceitar como ela realmente é. Pode se pensar que é um texto voltado às mulheres, mas é uma critica a futilidade e bestialidade de ambos os sexos por simplesmente darem muito mais valor à aparência do que realmente merece ser dado.
Jean-Claude Schmitt em “Moral dos gestos” faz uma descrição histórica sobre gestos, atitudes, grandes movimentos corporais. A expressão corpórea relacionada a diversas virtudes da existência humana, como modéstia, humildade. E nos dias de hoje como, ate um simples e singelo gesto, pode ter o poder expressar mais do que muitas palavras.
Mais um artigo de cunho histórico, “De Marianne a Lulu”- Michelle Perrot começa expondo a diferença dos gêneros, de como a mulher era submissa e o homem sempre voltado para o domínio tanto domiciliar quanto no trabalho. Mostrando ao longo a luta feminina contra essa desigualdade. O interessante observar é que como um texto de cunho histórico, retratando um tempo tão distante (século XIX) pode ser refletido nos tempos de hoje, a mulher ainda como um troféu a ser exibido, sendo desprezada em qualquer âmbito que não seja como “Amélia”. Mas o verdadeiro proposito do artigo é mostra a mudança da mulher omissa e obediente a mulher poderosa, que arranca suspiros por sua beleza, imponência e atitude, da mulher de cidadezinha à LULU.
Por ultimo “Corpos, Cinema, Vídeo” com uma linguagem poética retrata a arte em relação ao corpo.

Com todos esses artigos aqui apresentados vemos a minuciosidade de Denise em relação a seleção dos artigos. Ao final do livro o leitor passa a refletir sobre os diversos temas ali tratados, que são poucos ou mal retratados nos tempos de hoje. Sem dúvida um grande livro, uma grande experiência e uma enorme fonte de conhecimento.