Thiago Souza e Thays Peron
O livro “O Sentido Ético-Estético do Corpo na Cultura Popular”, de Larissa Michelle Lara, é dividido em três capítulos sendo eles os citados a seguir: 1) RELAÇÕES HISTÓRICO-FILOSÓFICAS ENTRE ÉTICA E ESTÉTICA; 2) A CONSTRUÇÃO CULTURAL DO CORPO; 3) ENTRE CORPOS, PRINCÍPIOS E SENTIDOS. A união dos capítulos acima juntamente com a introdução, considerações finais e etc, nos traz 247 páginas em sua primeira edição lançada em 2011.
O livro “O Sentido Ético-Estético do Corpo na Cultura Popular”, de Larissa Michelle Lara, é dividido em três capítulos sendo eles os citados a seguir: 1) RELAÇÕES HISTÓRICO-FILOSÓFICAS ENTRE ÉTICA E ESTÉTICA; 2) A CONSTRUÇÃO CULTURAL DO CORPO; 3) ENTRE CORPOS, PRINCÍPIOS E SENTIDOS. A união dos capítulos acima juntamente com a introdução, considerações finais e etc, nos traz 247 páginas em sua primeira edição lançada em 2011.
Ao longo
desses capítulos e páginas a autora enriquece o livro com 11 figuras que trazem
a tona, por exemplo, manifestações carnavalescas e a cultura da dança MARACATU,
encontrada como uma das palavras chave do livro devido a muitas citações da
mesma ao longo dos capítulos. Este livro foi escrito inicialmente como redação
final da Tese defendida por Larissa Michelle
Lara em 2004, e posteriormente publicado em 2011 pela editora da própria
Universidade Estadual de Maringá - UEM. A autora é brasileira, possui
graduação em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (1995),
especialização em Educação Física infantil pela UEM (1997). Além de possuir o
título de mestra e doutora, ambos pela UNICAMP, em 1999 e 2004 respectivamente. A autora
possui outra obra influente na área: Abordagens socioculturais em Educação
Física.
Penso
que a obra é destinada principalmente a
especialistas e universitários graduandos na área de ciências humanas e da
educação física, e de grande utilidade a interessados em um material que
fale sobre
um assunto específico da área da educação física. É um livro extremamente
difícil de ser compreendido para alunos que adentraram a pouco a universidade,
indicado para ser lido, portanto, durante uma pós-graduação ou mesmo nos
últimos períodos do curso de graduação.
Segundo a
autora em suas considerações finais formular uma teoria ético-estética do corpo
é buscar dimensões que extrapolem uma visão
unilateral e que instaurem um campo de ação plural, conduzindo o
homem a novas relações
consigo, com o outro e com a sociedade. Trata-se de demarcar a possibilidade de desconstrução
das normas e padrões vigentes rumo a novas configurações, implementadas a partir de
necessidades morais, juízos de gosto, experiências contemplativas e vivências corporais
que se colocam como “urgentes” no contexto da sociedade contemporânea.
O texto tem
como objetivo analisar o
sentido ético-estético do corpo na cultura popular, identificando as relações
dialógicas entre ética e estética que levam à estruturação do campo gestual em
comunidades populares.
Segundo
Larissa, as teorias que conduziram a estas discussões foram guiadas por uma
questão problematizadora fundamental:
como se dá a construção do sentido ético-estético do corpo na cultura
popular? Tal inquietação a levou a um campo diverso e sedutor a partir do
contato com a ética, a estética, a
gestualidade e a cultura popular. Os resultados dão origem a novos desafios
para a educação.
“A origem do sentido ético-estético
não está em Nietzsche, mas certamente tem neste filósofo sua originalidade”.
“Assim falou Zaratustra” é um primado da filosofia que traz em si o racional e
o sensível, o poético, o filosófico, as desconstruções necessárias à condição
de um novo homem. O profeta Zaratustra, por meio de seus ensinamentos, leva a
esboçar uma outra estética, marcada pela morte de Deus e pelo surgimento de um
super-homem, dotado de um desejo de poder, liberto da dominação cristã e de
regras sociais já decadentes frente às transformações da humanidade.” (Lara,
2011 p 10)
Nota-se uma grande contribuição teórica acerca do corpo,
da ética e da estética principalmente por meio do campo filosófico. A pesquisa
aponta que o corpo, como construção cultural, tem algumas normas coletivas,
instauradas por uma moralidade e uma estética construídas historicamente,
transmitidas, pensadas e (re)significadas nos diferentes contextos sociais.
Algumas dessas normatizações definem a convenção coletiva do uso dos gestos e
das técnicas corporais próprias a cada comunidade de cultura popular. A
construção do sentido ético-estético dá-se pelas regras de comportamento da
comunidade, que conduzem ao delineamento de suas técnicas corporais e
moralidade; pelos princípios e valores que caracterizam o que seja adequado e
justo; pelo sentido de existência coletiva, preservação das tradições e
religiosidade; pelas regras de competição impostas por setores externos; pelo
jogo de conformismo e resistência que leva os populares a serem invadidos pela
indústria cultural e a lutarem contra essa invasão; pela dinamicidade cultural
e necessidade de reconhecimento social; pela denúncia às mazelas humanas.
Pensar ética e estética em seus traços conceituais é
entender que embora cada termo tenha sua particularidade e seu momento
histórico, as afinidades e inter-relações podem ser percebidas. A sociedade por
meio de seus sujeitos, é ser produtor e usufruinte de cultura. E isso afeta
diretamente o modo das suas relações. É possível ressaltar a estética
minimamente envolvida com o binarismo sócio cultural. O belo e o feio são um
grande exemplo.
O corpo é concebido e construído através da cultura com
que se é inserido, mas isso só se faz aparente, à partir do momento em que
nota-se que o homem como ser cultural é manipulável e de importante força
laboral, o que sustenta a ideia de que seus desejos e vontades se baseiam na
reflexão dos modos de se portar perante a sociedade.
O corpo é, também, reflexo do gestos
dançantes. Isso pode ser determinante para identificação da cultura de um povo.
Assim como, o mecanismo de simbologias religiosas, e festivas. O Brasil é
culturalmente rico. Em cada região se encontra culturas diferentes. Estas que
podem ser expressas através de vestuário, culinária e outros fatores, como
folclore. O sujeito que vive no Brasil é desde muito cedo, apresentado as
várias formas culturais existentes. A dança, como conceito geral, acontece e
afeta de diferentes maneiras; na construção sociocultural do corpo, na
expressão das vontades e na construção do belo. Com o passar dos anos, tem-se
perdido, de certa forma a valorização e visualização do corpo como ser
cultural, dada a inserção, por exemplo, de tecnologias, onde o sujeito conhece
a cultura mas não vivência, ou pratica a cultura.
O livro tenta trazer à tona a
importância da dança característica do país na formação do profissional da
Educação Física e para o povo brasileiro em si, algo que está se perdendo ao
longos dos anos.
O livro é uma espécie de estudo ou
pesquisa que tem por objetivo analisar o sentido ético-estético do corpo na
cultura popular, fala mais especificamente sobre danças culturais a partir do
gestual popular, como o maracatu e como isso influência e tem grande
importância na vida das comunidades populares e da população em geral.
No entanto, passou a ser necessário discutir, investigar
e compreender as relações históricas e filosóficas entre ética e estética; pelo
corpo como produto e produtor de cultura e pela percepção do sentido
ético-estético em grupos de cultura popular, ampliada pela
infiltração em uma comunidade de maracatu na cidade de Refice-PE. Que
investigou como a ética leva à configuração estética do corpo na cultura
popular e como esta mesma construção estética conduz a encaminhamentos éticos;
perceber como se dá o sentido ético-estético em grupos de cultura popular,
identificando possibilidades de estruturação gestual.